Esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa rapidamente progressiva com uma expectativa de vida média de três anos e sem opções de tratamento eficazes. Na ELA, os neurônios motores na medula espinhal, necessários para a contração muscular, morrem, levando à paralisia muscular progressiva. As causas moleculares da ELA ainda são pouco compreendidas, mas a neuroinflamação, um processo de inflamação excessiva desencadeada por células imunes na medula espinhal, provavelmente contribui para a morte de neurônios motores na ELA. A contenção da neuroinflamação pode ser uma abordagem terapêutica viável para a ELA.
Para investigar a neuroinflamação relacionada à ELA em laboratório, a equipe de Elisa Giacomelli e Lorenz Studer do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, EUA, gerou "micro-tecidos espinhais" com neurônios motores e células imunes a partir de células-tronco. Seu trabalho foi recentemente publicado na Stem Cell Reports. Curiosamente, os micro-tecidos espinhais feitos de pacientes com ELA secretaram mais proteínas inflamatórias do que os micro-tecidos de doadores saudáveis. Além disso, os neurônios motores nesses micro-tecidos de ELA morreram com o tempo, reproduzindo as características típicas da patologia da ELA em uma placa de Petri. Para identificar possíveis novos tratamentos, os pesquisadores testaram 190 medicamentos aprovados pela FDA nesses micro-tecidos e descobriram que uma classe específica de medicamentos reduziu as concentrações de proteínas inflamatórias nesses micro-tecidos de ELA para o nível de tecido saudável de forma consistente. Consequentemente, a morte de neurônios motores também diminuiu. Esses dados sugerem que os novos micro-tecidos servirão como plataformas escaláveis para projetos de rastreio de medicamentos de alto rendimento e para o estudo da neuroinflamação na ELA em um contexto específico do paciente.
