COMENTÁRIO. Till Backhaus, Ministro do Meio Ambiente do SPD em Mecklenburg-Vorpommern, se revelou definitivamente como um dos políticos mais cínicos e irresponsáveis da Alemanha nas últimas duas semanas. Enquanto a baleia jubarte Timmy morre viva na Baía de Wismar, Backhaus defende uma política que transforma a proteção animal em uma farsa e coloca interesses institucionais acima de qualquer exigência ética e legal.
Backhaus não apenas assistiu passivamente. Ele decidiu pessoalmente: sem mais resgates, sem eutanásia, apenas "deixá-lo morrer em paz". Com isso, ele expôs Timmy a dias de agonia de forma consciente e intencional – atelectasia compressiva do pulmão, necrose por pressão, hipertermia, desidratação da pele e infecções secundárias em plena consciência. A queixa criminal apresentada contra ele em 8 de abril de 2026, portanto, o acusa corretamente de crueldade contra animais por omissão (§ 17 Abs. 1 Nr. 1 Buchst. b) TierSchG em conexão com § 13 StGB).
Este não é um deslize. Backhaus já demonstrou anteriormente que conveniência política e interesses institucionais são mais importantes para ele do que a vida. Devido à sua controversa política de lobos, na qual ele autorizou abates, violando a lei de proteção de espécies vigente, ele já perdeu a imunidade uma vez. Naquela época, assim como hoje, o mesmo padrão se repete: animais protegidos são sacrificados quando convém à administração ou a determinados grupos de interesse.
No caso Timmy, esse cinismo é particularmente perverso. O Museu Marítimo Alemão de Stralsund, intimamente ligado ao estado e ao ministério e financiado em grande parte pelo estado de Mecklenburg-Vorpommern e pelo governo federal, já reivindicou o cadáver de Timmy. O ministro, cujas autoridades coordenam a autópsia e o descarte, cria assim a condição para que uma instituição financiada publicamente receba um valioso esqueleto gratuitamente – enquanto o animal vivo perece agonizante.
Isso não é coincidência. É um sistema. A decisão de Backhaus de deixar Timmy sofrer conscientemente não serve à proteção animal, mas permite que o museu garanta um objeto cientificamente valioso sem custos. A queixa criminal aponta claramente este flagrante conflito de interesses e solicita ao Ministério Público de Rostock que verifique se não foram violados apenas a lei de proteção animal, mas também os princípios de ação do Estado de direito.
Till Backhaus não é mais Ministro do Meio Ambiente. Ele é o político que deixou uma baleia jubarte morrer viva – para um museu e para a conveniência de sua administração. Ele já perdeu a imunidade uma vez. Depois de Timmy, deveríamos nos perguntar seriamente se ele ainda a merece.
A Alemanha não precisa de ministros que permitam a tortura de animais para encher coleções científicas. Precisa de políticos que assumam a responsabilidade. Till Backhaus demonstrou nos últimos 14 dias que não é capaz disso. Ele não é apenas um fracassado. Ele é o torturador de Timmy.

Jonas Rogowski CC BY SA 40

