Pesquisadores da Tulane University desenvolveram um teste baseado em CRISPR que permite diagnosticar a pneumonia por Pneumocystis jirovecii (PJP) – uma infecção fúngica potencialmente fatal que afeta principalmente crianças e pacientes imunocomprometidos – de forma mais rápida e menos invasiva. Isso é relatado em um novo estudo publicado no Journal of Clinical Investigation.
O teste, que é altamente preciso, detecta RNA de fungos vivos em amostras de sangue e swabs de garganta, eliminando a necessidade dos procedimentos invasivos de broncoscopia atualmente usados para diagnóstico.
“Os métodos de diagnóstico atuais não evoluíram em décadas, o que significa que muitos pacientes não recebem respostas rápidas ou definitivas”, disse o coautor do estudo, Dr. Jay Kolls, titular da Cátedra John W. Deming de Medicina Interna na Tulane University School of Medicine. “Um swab de garganta não invasivo ou um exame de sangue nos permitirá diagnosticar mais rapidamente e também com mais especificidade do que atualmente.”
Kolls e o coautor do estudo, Tony Hu, PhD, titular da Cátedra Presidencial Weatherhead em Inovação em Biotecnologia e diretor do Tulane Center for Cellular & Molecular Diagnostics, lideraram uma equipe multidisciplinar para desenvolver a nova ferramenta, combinando inovação tecnológica com experiência clínica e biomédica.
O fungo que causa a PCP raramente prejudica pessoas saudáveis, mas pode causar infecções pulmonares perigosas em pessoas com sistemas imunológicos enfraquecidos. Isso inclui pacientes com câncer, receptores de transplantes, pessoas com HIV/AIDS e pacientes que tomam medicamentos imunossupressores.
Testes de esfregaço de PCR, como os usados para testes rápidos de COVID, muitas vezes não detectam infecções ativas por P. jirovecii. O uso da ferramenta de detecção baseada em CRISPR em conjunto com testes de PCR aumentou significativamente a precisão diagnóstica, identificando 96% dos bebês infectados (em comparação com 66% com PCR sozinha) e 93% dos adultos infectados (em comparação com apenas 26% com PCR sozinha) corretamente.
CRISPR, um acrônimo para "clustered regularly interspaced short palindromic repeats", é uma tecnologia de edição de genes que permite aos cientistas alterar o DNA com precisão. Para o teste de diagnóstico de PJP, o CRISPR é usado para detectar o RNA do fungo que causa a PJP.
"Isso é novo", disse Kolls. "E temos dados que mostram que a PJP é mais comum do que se pensava. Um diagnóstico melhor pode nos ajudar a provar isso."
Além de diagnosticar pacientes, o teste também pode ser usado em amostras de esfregaço de garganta já coletadas em hospitais para melhorar a epidemiologia e o mapeamento da Pneumocystis nos EUA.
Este estudo também demonstra o uso crescente do CRISPR como um método para otimizar a detecção de doenças. Olhando para o futuro, a equipe de pesquisa vê potencial para a plataforma de diagnóstico CRISPR detectar outras infecções respiratórias.
https://www.jci.org/articles/view/177241
