Um estudo da UNIGE mostra como a mecânica associada ao crescimento tecidual contribui para a diversidade de estruturas biológicas.
A origem da diversidade e complexidade morfológica dos organismos vivos continua sendo um dos maiores mistérios da ciência. Para desvendar esse mistério, os cientistas estudam uma variedade de espécies diferentes. O laboratório de Michel Milinkovitch, professor do Departamento de Genética e Evolução da Faculdade de Ciências da UNIGE, estuda o desenvolvimento e a evolução dos anexos da pele de vertebrados, como penas, pelos e escamas, para entender os mecanismos fundamentais responsáveis por essa diversidade. Assume-se geralmente que o desenvolvimento embrionário desses anexos é ditado por processos químicos que envolvem interações entre inúmeras moléculas resultantes da expressão gênica.
Como uma rachadura que se propaga
Anteriormente, a equipe havia demonstrado que o desenvolvimento embrionário das escamas da cabeça dos crocodilos, em contraste com as escamas do corpo, era baseado em um processo que lembra a propagação de rachaduras em um material sob estresse mecânico. No entanto, a verdadeira natureza desse processo físico permaneceu desconhecida.
Esse mistério foi agora resolvido pelos cientistas graças ao seu novo e altamente multidisciplinar trabalho. Primeiro, eles rastrearam a origem das escamas da cabeça durante o desenvolvimento do embrião de crocodilo do Nilo, que dura cerca de 90 dias no total. Enquanto a pele que cobre as mandíbulas permanece lisa até o dia 48, dobras de pele começam a se formar por volta do dia 51. Essas dobras então se propagam e se unem para formar escamas poligonais irregulares, incluindo escamas grandes e alongadas na parte superior do focinho e unidades menores nas laterais das mandíbulas.

