Vários estudos demonstraram o potencial carcinogênico dos bifenilos policlorados (PCBs), um grupo de produtos químicos produzidos pela Monsanto até 1977. Aqui está uma visão geral dos principais estudos e descobertas:
Estudos em Animais
O Programa Nacional de Toxicologia (NTP) realizou múltiplos estudos expondo ratas a PCBs individuais ou misturas de PCBs. Esses estudos encontraram incidências aumentadas de tumores benignos e malignos no fígado, ducto biliar, pulmão, mucosa oral, útero e pâncreas após exposição a PCBs 126, 118 ou misturas[1].
Um estudo de 1998 por Mayes et al. descobriu que a exposição dietética a misturas de Aroclor 1016, 1242, 1254 ou 1260 causou tumores hepáticos em ratas. O Aroclor 1254 especificamente levou a um tipo adicional de tumor hepático chamado hepato colangioma[1].
Estudos em Humanos
Um estudo de coorte italiano de trabalhadores de fabricação de capacitores encontrou excesso de tumores gastrointestinais (incluindo fígado) em homens e cânceres linfo-hematopoiéticos em mulheres expostas ocupacionalmente a PCBs[5].
Uma meta-análise de Zani et al. em 2017 encontrou algumas evidências de uma associação entre a exposição a PCBs e o aumento do risco de linfoma não Hodgkin, com uma razão de chances resumida de 1,5 (IC de 95%: 1,1-1,7)[4].
Classificações de Agências
A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) classificou os PCBs como "provavelmente carcinogênicos para humanos" (Grupo 2A)[6].
A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) concluiu em sua reavaliação que os PCBs são prováveis carcinógenos humanos, com base em evidências claras de carcinogenicidade em estudos em animais e achados preocupantes em estudos em humanos[3].
Mecanismos
Alguns congêneres de PCB com menor cloração e seus metabólitos demonstraram ter atividade iniciadora em protocolos modificados de Solt-Farber, contradizendo suposições anteriores de que os PCBs não tinham potencial iniciador[6].
Adutos de PCB-DNA foram observados em sistemas celulares e estudos em animais, fornecendo evidências de mecanismos genotóxicos[6].
Embora estudos iniciais tenham considerado os PCBs não mutagênicos, pesquisas mais recentes mostraram que certos metabólitos de PCB podem induzir mutações genéticas, quebras cromossômicas e outros danos genéticos in vitro e in vivo[6].
Em conclusão, embora algumas inconsistências permaneçam, há evidências substanciais de estudos em animais e humanos que apoiam o potencial carcinogênico dos PCBs, particularmente para câncer de fígado e linfoma não Hodgkin. Os mecanismos provavelmente envolvem vias genotóxicas e não genotóxicas.
Fontes:
[1] [PDF] Report on Carcinogens, Fifteenth Edition – Polychlorinated Biphenyls https://ntp.niehs.nih.gov/sites/default/files/ntp/roc/content/profiles/polychlorinatedbiphenyls.pdf
[2] Polychlorinated biphenyl – Wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Polychlorinated_biphenyl
[3] Learn about Polychlorinated Biphenyls | US EPA https://www.epa.gov/pcbs/learn-about-polychlorinated-biphenyls
[4] Polychlorinated biphenyls and cancer: an epidemiological assessment https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23672403/
[5] Polychlorinated Biphenyls https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK590799/
[6] Polychlorinated Biphenyl (PCB) carcinogenicity with special … – NCBI https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3113507/
[7] Do polychlorinated biphenyls cause cancer? A systematic review … https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0045653517307555
