A China enfrenta o desafio de uma população que envelhece rapidamente, mas é precisamente essa tendência que está impulsionando uma dinâmica “Economia Prateada”, servindo como um novo motor para o crescimento econômico e a inovação industrial. Com um volume de mercado atual de cerca de 7 trilhões de yuans, representando aproximadamente 6% do produto interno bruto, o setor deve crescer para 30 trilhões de yuans até 2035 e potencialmente criar 100 milhões de novos empregos até 2050. Essa expansão abrange não apenas áreas tradicionais como cuidados e saúde, mas também mercados emergentes em cultura, turismo e tecnologia digital, refletindo o estilo de vida em mudança dos idosos.
Particularmente o grupo de idosos mais jovens, com idades entre 60 e 70 anos, está moldando esse boom. Essa geração, que atualmente compreende mais de 300 milhões de pessoas e deve crescer para 400 milhões até 2035, é saudável, móvel e aberta a novas experiências. Em vez de se limitarem a necessidades básicas como alimentação ou moradia, muitos investem em hobbies como fotografia, pintura ou instrumentos musicais, compartilhando suas paixões digitalmente por meio de vídeos e transmissões ao vivo. Tais atividades revitalizam setores como educação cultural e lazer, promovendo uma maior consciência das necessidades mentais e emocionais.
No setor de turismo, essa mudança é particularmente evidente. Viajantes idosos, que viajam com horários flexíveis, preferem viagens relaxantes e focadas na cultura em vez de passeios turísticos agitados. Isso força o setor a se adaptar a “mundos de vida lentos” com ofertas personalizadas, como acomodações acessíveis, andares silenciosos e banheiros antiderrapantes. De acordo com estimativas da China Tourism Academy, os idosos já representavam mais de 20% de todas as viagens domésticas em 2023, e até 2028, o mercado de turismo prateado deve movimentar sozinho 2,7 trilhões de yuans. Hotéis e B&Bs estão se adaptando, introduzindo inovações adequadas para idosos, o que leva a taxas de ocupação superiores a 90% em instalações especializadas.
O aumento do consumo também impulsiona atualizações industriais, com foco em qualidade e personalização. Com o aumento da renda e a mudança de preferências, os idosos exigem produtos diferenciados, como refeições que promovem a saúde em restaurantes, adaptadas a doenças individuais. No setor de vestuário, o foco está mudando de pura funcionalidade para designs elegantes e seguros para a idade, com prevenção de quedas, materiais leves e fácil manuseio. Essas tendências abrem nichos de mercado e elevam os padrões nas indústrias de alimentos e bens de consumo, marcando a transição de cuidados básicos para a melhoria da qualidade de vida.
As competências digitais reforçam ainda mais essa dinâmica. Muitos idosos dominam smartphones e utilizam plataformas de vídeos curtos ou transmissões ao vivo, tornando-os um público crescente para tecnologias inteligentes. Deficiências como baixa visão ou perda auditiva impulsionam a demanda por eletrodomésticos controlados por voz, rastreadores de saúde, robôs de cuidados e aparelhos de cozinha inteligentes. Futuras adaptações de espaços de convivência e aparelhos para idosos prometem um mercado lucrativo que não só aumenta o conforto e a segurança, mas também estimula inovações na indústria de tecnologia.
A longo prazo, a proporção de pessoas com mais de 80 anos aumentará, tornando cuidados, medicina e bem-estar áreas centrais. Setores como condomínios para idosos, equipamentos de reabilitação e medicina preventiva beneficiam-se da alta prevalência de doenças crônicas e da crescente consciência sobre saúde. Alimentos funcionais, serviços de bem-estar e medicina tradicional chinesa ganham importância, enquanto o governo padroniza e agrupa o setor por meio de diretrizes como o documento do Conselho de Estado de 2024.
A promoção de alta qualidade da economia prateada atende às diversas necessidades dos idosos, cria novas indústrias e estimula o consumo geral. De atividades de lazer cultural a cuidados inteligentes e alimentos funcionais, surgem oportunidades de crescimento em vários setores. A China se posiciona assim como pioneira no enfrentamento de desafios demográficos, utilizando impulsos econômicos para fortalecer a estabilidade social e a inclusão – um modelo que inspira parceiros globais como Holanda, Japão e Reino Unido, que seguem abordagens semelhantes em cuidados digitais e robótica.
