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Europa: O retorno das velhas pragas

Nos últimos anos, tem-se observado na Europa um ressurgimento preocupante de doenças infecciosas que há muito tempo eram consideradas erradicadas ou sob controle. Doenças como poliomielite, sífilis, gonorreia, sarampo e até casos isolados de peste estão ressurgindo. Este relatório destaca as razões para essa tendência, analisa os fatores subjacentes e considera os desafios para a saúde pública na Europa.


1. Contexto: Velhas pragas e seu retorno

Pragas como a peste, cólera, poliomielite e sífilis marcaram a história europeia por séculos. Graças aos avanços na medicina, higiene e programas de vacinação, muitas dessas doenças foram amplamente eliminadas na Europa. Assim, a poliomielite era considerada erradicada na Europa desde a década de 1980, e a sífilis era facilmente tratável com antibióticos como a penicilina. No entanto, relatórios recentes mostram um ressurgimento:

  • Poliomielite: De acordo com relatórios de 2025, casos do poliovírus foram registrados em países como Alemanha, Polônia, Espanha, Grã-Bretanha e Finlândia, que eram considerados erradicados há décadas.
  • Sífilis e Gonorreia: O relatório anual do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) relata um aumento acentuado de sífilis e gonorreia resistente a antibióticos.
  • Sarampo: Vários países na Europa lutam contra surtos de sarampo, especialmente em regiões com baixas taxas de vacinação, como Berlim.
  • Peste: Embora rara, a peste é registrada em casos isolados na Europa, muitas vezes devido a viagens ou zoonoses de outras regiões.

Essas tendências levantam questões: Por que essas doenças estão retornando e quais fatores contribuem para sua disseminação?


2. Razões para o retorno de velhas pragas

O retorno de velhas pragas é um fenômeno complexo, atribuído a uma combinação de fatores sociais, ecológicos, médicos e políticos. As principais razões identificadas são:

2.1 Queda nas taxas de vacinação e ceticismo em relação a vacinas

Um fator central para o retorno de doenças como poliomielite e sarampo é a queda nas taxas de vacinação em algumas regiões europeias. O ceticismo em relação a vacinas, muitas vezes amplificado pela desinformação nas redes sociais, levou à perda da imunidade de rebanho em certos grupos populacionais.

  • Exemplo de Sarampo: O sarampo requer uma taxa de vacinação de cerca de 95% para prevenir uma epidemia. Em regiões como Berlim, onde pais céticos em relação a vacinas ou campanhas de vacinação inadequadas reduzem a taxa, surtos ocorrem repetidamente.
  • Poliomielite: O poliovírus pode sobreviver e se espalhar em comunidades subimunizadas, especialmente quando os programas de vacinação não são implementados de forma consistente.
2.2 Migração e globalização

A globalização e a maior mobilidade, incluindo a migração, favoreceram a disseminação de doenças. Pessoas de regiões onde certas doenças ainda são endêmicas podem introduzir patógenos na Europa.

  • Pólio: Relatos sugerem que a migração de áreas de alto risco onde a pólio ainda ocorre (por exemplo, partes da África ou Ásia) trouxe o vírus para a Europa.
  • Sífilis e Gonorreia: O aumento das doenças sexualmente transmissíveis é parcialmente atribuído à maior mobilidade e ao sexo desprotegido em sociedades globalizadas.

No entanto, é importante não criminalizar a migração de forma generalizada, pois a disseminação de doenças também é favorecida por outros fatores, como controles de saúde insuficientes nas fronteiras ou a falta de integração de migrantes nos sistemas de saúde.

2.3 Resistência a antibióticos

O aumento de bactérias resistentes a antibióticos é um fator crucial para o ressurgimento de doenças como a gonorreia. O uso indevido e excessivo de antibióticos na medicina e na agricultura promoveu cepas resistentes que são difíceis de tratar.

  • Gonorreia: Cepas resistentes a antibióticos dificultam o tratamento e aumentam o risco de epidemias.
  • Peste: Embora a peste seja tratável com antibióticos como a penicilina, cepas de bactérias resistentes (Yersinia pestis) podem representar um desafio no futuro.
2.4 Mudanças climáticas e ambientais

As mudanças climáticas contribuem para a disseminação de epidemias, alterando as condições de vida para vetores de doenças como mosquitos ou ratos.

  • Malária e outras doenças transmitidas por mosquitos: As mudanças climáticas levam a temperaturas mais quentes e eventos climáticos extremos mais frequentes, que aumentam as populações de mosquitos na Europa. Isso eleva o risco de doenças como a malária, que era comum na Europa no século XIX.
  • Peste: O agente causador da peste sobrevive em populações de roedores selvagens, e as mudanças ambientais podem facilitar a transmissão para humanos.
2.5 Sistemas de saúde pública insuficientes

Em alguns países europeus, os sistemas de saúde estão sobrecarregados ou subfinanciados, o que dificulta a detecção precoce e o controle de epidemias.

  • Pandemia de Coronavírus: A crise do coronavírus expôs fraquezas na infraestrutura de saúde europeia, como medidas descoordenadas e falta de planos de pandemia.
  • Vigilância de epidemias: A falta de investimento em sistemas de alerta precoce e programas de monitoramento dificulta a resposta rápida a surtos de doenças.
2.6 Mudanças nos comportamentos sociais

Mudanças no comportamento social, como um aumento na atividade sexual desprotegida ou a negligência de medidas de higiene, promovem a disseminação de certas doenças.

  • Sífilis e Gonorreia: O aumento das doenças sexualmente transmissíveis também é atribuído a mudanças no comportamento sexual e a campanhas de conscientização insuficientes.
  • Higiene: Durante a pandemia de coronavírus, medidas de higiene como lavar as mãos e manter o distanciamento foram fortemente promovidas, mas um relaxamento dessas práticas pode favorecer outras doenças.
2.7 Zoonoses e Transmissão Animal-Humano

Muitas doenças antigas, como a peste ou certos tipos de gripe, são zoonoses transmitidas de animais para humanos. A intensificação da agricultura, a urbanização e a interferência em habitats naturais aumentam o risco de tais transmissões.

  • Peste: O agente causador da peste é transmitido de pulgas através de ratos para humanos. Na Europa, casos isolados são frequentemente atribuídos a viagens ou contato com animais infectados.
  • Gripe Aviária e Suína: Essas zoonoses demonstram a estreita ligação entre a pecuária e as infecções humanas.

3. Contexto Histórico: Lições do Passado

A história mostra que as epidemias foram frequentemente contidas por meio de avanços sociais e tecnológicos.

  • Peste: Na Idade Média, a "Peste Negra" matou um terço da população europeia, mas medidas como quarentena e melhorias na higiene ajudaram a conter surtos posteriores. Desde o século XX, a Europa está em grande parte livre da peste, graças aos antibióticos e a melhores condições sanitárias.
  • Cólera: No século XIX, a cólera causou epidemias massivas que foram contidas pela construção de sistemas de filtragem de água e esgoto.
  • Gripe Espanhola: A pandemia de 1918 demonstrou a importância da quarentena e do distanciamento social, medidas que voltaram a ser relevantes durante a pandemia de coronavírus.

Esses sucessos históricos ilustram que intervenções direcionadas podem ser eficazes, mas também que a negligência pode levar a um ressurgimento.


4. Desafios e Recomendações

O ressurgimento de doenças antigas apresenta desafios significativos para a Europa. As seguintes medidas podem ajudar a conter a disseminação:

  1. Fortalecimento das Campanhas de Vacinação: Campanhas de conscientização e melhor acesso às vacinas são cruciais para garantir a imunidade de rebanho.
  2. Investimento em Sistemas de Saúde: Sistemas de alerta precoce, programas de monitoramento e melhor equipamento hospitalar são necessários para responder rapidamente a surtos.
  3. Combate à resistência a antibióticos: O uso responsável de antibióticos e o desenvolvimento de novos medicamentos são essenciais.
  4. Proteção climática: Medidas contra as mudanças climáticas podem conter a propagação de vetores de doenças como mosquitos.
  5. Cooperação internacional: Uma resposta europeia e global coordenada, como a que foi parcialmente bem-sucedida durante a pandemia de coronavírus, é necessária para prevenir surtos de doenças transfronteiriças.

5. Conclusão

O ressurgimento de antigas pragas na Europa é um sinal de alerta que expõe a vulnerabilidade das sociedades modernas. A queda nas taxas de vacinação, a resistência a antibióticos, a migração, as mudanças climáticas e sistemas de saúde inadequados são as principais razões para essa tendência. A história mostra que as pragas podem ser contidas por meio de medidas direcionadas, mas isso exige vontade política, cooperação internacional e responsabilidade social. Sem uma ação decisiva, a Europa corre o risco de comprometer os avanços das últimas centenas de anos.


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Os Editores-Chefes do labnews.ai são Marita Vollborn e Vlad Georgescu. Eles são autores best-sellers, escritores de ciência e jornalistas científicos desde 1994.Mais detalhes sobre sua escrita no X-Press Journalistenbüro (https://xpress-journalisten.com).Mais informações na Wikipedia:Sobre Marita: https://de.wikipedia.org/wiki/Marita_Vollborn Sobre Vlad: https://de.wikipedia.org/wiki/Vlad_Georgescu
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