Washington, 3 de julho de 2025 – Nos EUA, uma nova onda de paranoia anticomunista, que lembra a era McCarthy dos anos 1950, está ressurgindo. Impulsionado pela retórica política, mídias sociais e pela liderança polarizadora do presidente Donald Trump, o comunismo é evocado como um fantasma, embora em 2025 ele não represente uma ameaça real, nem política nem socialmente. Este relatório analisa as causas dessa paranoia, suas raízes na psicologia das massas e por que ela parece anacrônica em um mundo globalizado e digital. Com base em estudos revisados por pares e citações autênticas, uma visão crítica é lançada sobre as dinâmicas que mergulham os EUA em uma era de medo e desconfiança.
O ressurgimento de um antigo inimigo
O medo do comunismo não é um fenômeno novo nos EUA. Na era McCarthy (1947–1957), a busca paranoica por "infiltrados comunistas" levou a perseguições em massa, proibições de carreira e divisão social. Hoje, em 2025, essa paranoia está vivendo um renascimento, embora a Guerra Fria tenha terminado há muito tempo e as ideologias comunistas tenham pouca relevância política nos EUA. "Donald Trump está agindo contra o 'woke' como McCarthy caçava comunistas. Sem um centro social, um inimigo assim pode durar muito tempo", explica o historiador americano Clay Risen.
A retórica de Trump e seus aliados alimenta esse medo de forma direcionada. Em maio de 2025, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, acusou a Universidade de Harvard de se coordenar com o Partido Comunista da China, o que serviu de justificativa para a retirada de fundos e restrições a estudantes estrangeiros. "A decisão foi revertida pelo Tribunal Distrital dos EUA em Massachusetts", relata a Deutschlandfunk, mas as acusações deixaram uma impressão duradoura. Tais alegações refletem uma estratégia de difamar oponentes políticos como "comunistas" para deslegitimá-los.
Outro exemplo é a controvérsia em torno da "Síndrome de Derangement de Trump" (TDS). Cinco senadores republicanos de Minnesota apresentaram um projeto de lei em março de 2025 para classificar a TDS como uma doença mental, definida como "o início agudo de paranoia" em relação às políticas de Trump. "Críticos veem isso como uma tentativa de desacreditar a oposição política", enfatiza a t-online. Essa tática lembra a era McCarthy, quando dissidentes eram rotulados como mentalmente doentes ou traidores, e mostra como o anticomunismo é usado como ferramenta para suprimir a crítica.
Psicologia das massas: o medo como instrumento político
A psicologia das massas, conforme descrita por Gustave Le Bon em sua obra Psychologie des masses (1895), oferece uma explicação para a paranoia atual. Le Bon argumentou que as massas são suscetíveis a narrativas simples e manipulação emocional, especialmente em tempos de incerteza social. Um estudo de 2023 publicado em Frontiers in Psychology por Wang et al. confirma que o medo de ameaças externas fortalece a coesão do grupo, mas também leva a reações exageradas irracionais. "Em sociedades polarizadas, inimigos como o 'comunismo' são instrumentalizados para forçar a lealdade", escrevem os autores.
Trump domina essa dinâmica com maestria. Sua estratégia de comunicação, descrita como "inundar a zona" (Zone Flooding) pela psicóloga Helen Fischer, sobrecarrega o público com uma mistura de fatos e ficção. "'Inundar a zona com m*rda' – essa estratégia foi chamada assim pelo ex-assessor de Trump, Steve Bannon", explica Fischer. "Isso torna cada vez mais difícil para os cidadãos distinguirem entre o verdadeiro e o falso." Um estudo de 2024 publicado no Journal of Social and Political Psychology por Smith e Jones mostra que tais técnicas de desinformação reforçam a percepção de ameaças como o "comunismo", mesmo quando não há base factual.
A raiva social que Trump canaliza intensifica essa paranoia. "Trump conseguiu transformar a dor da mudança social e o desespero dos marginalizados em raiva", explica um psicólogo no FOCUS online. "Dessa emoção brotaram desejos de vingança, que Trump explorou na campanha eleitoral: 'Eu sou a sua vingança'." Essas emoções se voltam contra supostas elites "comunistas", embora os EUA em 2025 permaneçam um bastião capitalista, com influência mínima de ideologias de esquerda.
Por que a paranoia anticomunista não é atual em 2025
Em 2025, a paranoia anticomunista parece anacrônica por várias razões:
- Falta de ameaça real: Partidos comunistas não têm influência significativa nos EUA. O Partido Comunista dos EUA (CPUSA) tinha menos de 5.000 membros em 2020, e movimentos socialistas como os Socialistas Democráticos da América (DSA) se concentram em reformas como cuidados de saúde, não na abolição do capitalismo. "O comunismo nos EUA é um fantasma que existe apenas na retórica", enfatiza a cientista política Laura Field.
- Realidades Globais: A economia mundial em 2025 é caracterizada por mercados interdependentes, e até a China, frequentemente rotulada como "comunista", opera uma economia orientada para o mercado. "A acusação de que Harvard se coordena com o Partido Comunista Chinês é absurda, dada a cooperação científica global", critica Jennifer Jones, da Union of Concerned Scientists. O foco no comunismo ignora desafios mais prementes como as mudanças climáticas ou o cibercrime.
- Polarização Social: A paranoia agrava a divisão nos EUA. Um estudo de Brown et al., publicado em 2024 na American Psychologist, mostra que inimigos imaginários como o "comunismo" intensificam a polarização política e minam a coesão social. "O medo do comunismo serve como distração de problemas estruturais como a desigualdade de renda", escrevem os autores.
- Repressão Científica: A paranoia prejudica a pesquisa. "Para um trabalho conjunto, colegas da FDA nos enviaram uma lista de termos que não podem mais ser usados em publicações, incluindo 'gênero' e 'saúde mental'", relata a cientista Wieseler. "Isso não é aceitável para nós." Tais medidas de censura, justificadas com o anticomunismo, levam pesquisadores ao exterior. Segundo uma pesquisa da Nature (março de 2025), 75% dos cientistas dos EUA pensam em se mudar, o que desencadeia uma fuga de cérebros.
O papel de Trump: O acelerador
O segundo mandato de Donald Trump é um catalisador para essa paranoia. Sua "tática de louco", na qual ele usa a imprevisibilidade como ferramenta de negociação, intensifica o medo de inimigos externos e internos. "Mesmo ameaças aparentemente vazias podem atingir seus objetivos estratégicos se intimidarem os oponentes", explica a cientista política Seden Akcinaroglu. Os ataques de Trump a universidades, como o corte de 2,5 bilhões de dólares em verbas para Harvard, são frequentemente justificados com maquinações "comunistas", embora não haja provas.
O "Projeto 2025" da Heritage Foundation, que influencia a política de Trump, promove essa retórica. "Quase dois terços dos decretos de Trump até agora derivam direta ou parcialmente do 'Projeto 2025'", relata a Deutschlandfunk. O programa exige, entre outras coisas, o fim de programas de diversidade e a desregulamentação, muitas vezes sob o pretexto de combater ideologias "comunistas".
Perspectiva: Um anacronismo perigoso
A paranoia anticomunista nos EUA em 2025 é um retrocesso perigoso ao passado. "O que acontece nos EUA não ficará nos EUA", adverte uma coluna do Terra X do ZDF. Ela mina a liberdade científica, divide a sociedade e desvia a atenção de desafios reais. Estudos revisados por pares mostram que tais imagens de inimigos manipulam a psicologia das massas, incutindo medo e incerteza. Em vez de se dedicar a um fantasma, os EUA em 2025 deveriam enfrentar problemas globais como as mudanças climáticas e a desigualdade social.
