As glândulas salivares desempenham um papel essencial na saúde bucal, secretando saliva que auxilia na digestão, fala e sistema imunológico. Quando essas glândulas são danificadas irreversivelmente pela radioterapia ou por doenças autoimunes, os pacientes frequentemente sofrem de desconforto crônico, distúrbios alimentares e um risco aumentado de infecção. No entanto, replicar a função salivar em laboratório continua sendo um desafio difícil devido à complexidade das células especializadas e do microambiente da glândula. A maioria dos sistemas de cultura existentes depende de andaimes de origem animal ou matrizes quimicamente fixadas que não conseguem manter a identidade das células acinares humanas de forma sustentada. Devido a essas limitações, há uma necessidade urgente de ambientes tridimensionais (3D) produzidos por engenharia para apoiar a sobrevivência e a função a longo prazo das células das glândulas salivares.
Em um novo estudo (DOI: 10.1038/s41368-025-00368-6) publicado em 9 de maio de 2025 no International Journal of Oral Science, pesquisadores da Universidade McGill apresentaram um hidrogel de próxima geração que apoia a regeneração de tecidos semelhantes a glândulas salivares. A equipe testou três formulações e descobriu que a versão com ácido hialurônico – chamada AGHA – melhor apoiava a formação de esferoides grandes e viáveis que imitam a arquitetura glandular natural. Esses aglomerados de células 3D mantiveram alta expressão de proteínas salivares importantes e responderam dinamicamente à estimulação química, tornando-os uma ferramenta poderosa para modelar doenças e testar terapias potenciais para a xerostomia.
Os pesquisadores compararam três tipos de hidrogel: um alginato-gelatina (AG) simples, uma versão suplementada com colágeno (AGC) e um AG contendo ácido hialurônico (AGHA). Embora todos apresentassem propriedades mecânicas semelhantes às do tecido nativo, o AGHA provou ser o melhor andaime. Nos géis AGHA, as células acinares da glândula salivar formaram esferoides grandes com mais de 100 células e viabilidade de mais de 93%. Essas estruturas mantiveram sua atividade metabólica e uma expressão robusta de marcadores funcionais, incluindo AQP5, ZO-1, NKCC1 e ?-Amylase – todos importantes para a secreção salivar. Quando estimulados com isoprenalina, os esferoides aumentaram sua produção de grânulos contendo ?-Amilase, confirmando sua capacidade de resposta funcional. A reversibilidade do gel, alcançada pela simples remoção de íons, permitiu a recuperação não destrutiva de esferoides intactos – uma característica essencial para uso clínico ou experimental posterior. O hidrogel também apoiou com sucesso a expansão de células salivares humanas primárias por até 15 dias, demonstrando sua versatilidade como plataforma de cultura.
