Um estudo liderado pela Universidade de Gotemburgo demonstrou que um modelo simples de IA é tão preciso quanto dermatologistas experientes na avaliação da agressividade do carcinoma de células escamosas, uma forma comum de câncer de pele. Essas descobertas podem melhorar o diagnóstico pré-operatório e otimizar o planejamento de procedimentos cirúrgicos.
Na Suécia, mais de 10.000 pessoas são diagnosticadas anualmente com carcinoma de células escamosas, a segunda forma mais comum de câncer de pele após o carcinoma basocelular. Este tipo de câncer ocorre principalmente em áreas expostas ao sol, como cabeça e pescoço, e está fortemente associado à exposição prolongada à radiação UV. Sinais típicos incluem áreas de pele ásperas e escamosas, pigmentação irregular e diminuição da elasticidade da pele.
O desafio reside na avaliação pré-operatória da agressividade do tumor, que é crucial para o planejamento do procedimento cirúrgico. Tumores agressivos exigem intervenções mais rápidas e a remoção de áreas maiores de tecido, enquanto tumores menos agressivos podem ser tratados com margens mais estreitas ou procedimentos mais simples. Em muitos países, incluindo a Suécia, não são realizadas biópsias pré-operatórias de rotina, o que destaca a necessidade de métodos de diagnóstico alternativos, como a análise de imagem assistida por IA.
Para o estudo, um modelo de IA foi treinado com 1.829 imagens clínicas de close-up de carcinomas de células escamosas confirmados. Em seguida, a capacidade do modelo de distinguir entre três níveis de agressividade foi testada em 300 imagens e comparada com as avaliações de sete dermatologistas experientes. Os resultados, publicados no Journal of the American Academy of Dermatology International, mostram que o desempenho da IA foi quase idêntico ao dos especialistas. A concordância entre os próprios dermatologistas apresentou apenas uma consistência moderada, o que evidencia a complexidade da tarefa.
Particularmente notável foi a associação entre duas características clínicas – superfícies de pele ulceradas e planas – e uma maior agressividade do tumor. Tumores com essas características foram mais de duas vezes mais propensos a serem classificados em níveis de agressividade mais altos.
O estudo ressalta o potencial da IA no diagnóstico de câncer de pele, especialmente na avaliação pré-operatória, onde avaliações mais precisas podem melhorar a tomada de decisão. No entanto, os pesquisadores enfatizam que mais refinamentos e testes são necessários para integrar a tecnologia de forma eficaz na prática clínica. O foco deve ser em áreas de aplicação que atendam às necessidades do sistema de saúde e ofereçam valor claro.
A pesquisa foi liderada por Sam Polesie, professor associado de dermatologia e venereologia na Universidade de Gotemburgo e dermatologista praticante no Hospital Universitário Sahlgrenska. As imagens utilizadas são do atendimento dermatológico do hospital entre 2015 e 2023.
Fonte: Universidade de Gotemburgo
