A Aliança Europeia de Associações de Reumatologia (EULAR) e a European Respiratory Society (ERS) desenvolveram novas diretrizes clínicas para o manejo de doenças pulmonares intersticiais (DPI) associadas a doenças do tecido conjuntivo (DTC). Apresentadas no Congresso Anual da EULAR de 2025, elas visam um atendimento unificado por meio de abordagens padronizadas para rastreamento, diagnóstico, tratamento e acompanhamento.
As DTCs incluem condições como esclerose sistêmica (ESc), miopatias inflamatórias idiopáticas (MII), síndrome de Sjögren (SSj), lúpus eritematoso sistêmico (LES), doença mista do tecido conjuntivo (DMTC) e artrite reumatoide (AR). As DPIs são uma complicação comum dessas doenças, associadas a alta morbidade e mortalidade. Uma força-tarefa composta por pneumologistas, reumatologistas, radiologistas, histopatologistas e representantes de pacientes formulou 50 recomendações específicas para cada doença, com base em cinco perguntas PICO (Paciente, Intervenção, Comparação, Resultados) e dez questões narrativas.
As diretrizes recomendam o rastreamento de DPI em todos os pacientes com ESc, DMTC e MII (exceto miosite por corpos de inclusão), bem como em pacientes com AR e SSj que apresentem fatores de risco no momento do diagnóstico da DTC. A tomografia computadorizada de alta resolução (TCAR) é a ferramenta diagnóstica preferida. Biópsias pulmonares são recomendadas apenas em casos de diagnósticos alternativos possíveis, discutidos em discussões multidisciplinares. Ao diagnosticar DPI, a gravidade, o risco de progressão e a capacidade funcional devem ser avaliados, utilizando testes de função pulmonar, TCAR, teste de caminhada de seis minutos e resultados relatados pelo paciente, entre outros. Pacientes de alto risco requerem monitoramento mais frequente, enquanto pacientes de menor risco são avaliados em intervalos mais longos.
A escolha do tratamento considera fatores de risco específicos do paciente, manifestações extrapulmonares, efeitos colaterais e o risco de DPI grave ou progressiva. O tratamento precoce ou agressivo é recomendado em casos de alto risco de progressão. As diretrizes, publicadas na edição de setembro de 2025 do European Respiratory Journal e das Annals of Rheumatic Diseases, incluem algoritmos de manejo específicos para cada doença.
Apesar da certeza da evidência predominantemente baixa, as diretrizes oferecem suporte abrangente para médicos e pacientes, levando em consideração as diferenças específicas das doenças reumáticas subjacentes.
