Um novo estudo mapeou as diferentes "impressões digitais" moleculares que 59 doenças deixam nas proteínas sanguíneas de uma pessoa. Isso pode permitir que exames de sangue diferenciem sinais preocupantes de outros mais comuns.
Em um estudo publicado na quinta-feira na Science, uma equipe internacional de pesquisadores mapeou como milhares de proteínas no sangue humano mudam como resultado do envelhecimento e de doenças graves, como câncer, doenças cardiovasculares e autoimunes.
O Atlas de Sangue de Doenças Humanas também mostra que o perfil sanguíneo de cada pessoa tem uma impressão digital molecular única que muda durante a infância e se estabiliza na idade adulta. Isso fornece uma base de comparação que os profissionais de saúde podem um dia usar para detectar desvios precoces.
O autor sênior do estudo, Mathias Uhlén, e a autora principal, María Bueno Álvez, dizem que o estudo usou aprendizado de máquina, que fornece informações importantes para a criação de perfis sanguíneos que não causam má classificação de pacientes em situações reais.
"Ao comparar essas doenças lado a lado, podemos distinguir alarmes falsos gerais de inflamação de sinais realmente específicos da doença", diz Uhlén, professor do KTH Royal Institute of Technology em Estocolmo e chefe do projeto Human Protein Atlas.
"Mapear impressões digitais moleculares de doenças é um passo crucial para o desenvolvimento de exames de sangue clinicamente eficazes", diz Uhlén.
Por exemplo, muitas proteínas que aumentam no câncer ou em doenças autoimunes também aumentam em infecções, indicando processos inflamatórios comuns, enquanto outros padrões, como doenças hepáticas, são agrupados por sistemas de órgãos. Essa visão dupla ajuda a focar em marcadores realmente específicos da doença, diz ele.
O Atlas de Sangue de Doenças oferece uma solução para o problema de identificar biomarcadores confiáveis e reproduzíveis para doenças - um processo que até agora envolvia tipicamente a comparação de novos marcadores de proteína com um grupo de controle, ou seja, um perfil saudável. Os pesquisadores apontam o sucesso do estudo na identificação de biomarcadores comuns que são consistentemente alterados em diferentes condições.
Essas características moleculares comuns podem servir como alvos diagnósticos, prognósticos ou terapêuticos universais.
"Todos os dias, cerca de 70 novos estudos de biomarcadores são publicados em todo o mundo, mas a maioria compara doenças com controles", diz Bueno Álvez, estudante de doutorado no KTH e primeira autora do artigo.
„Como muitas proteínas apresentam variabilidade sob diferentes condições, comparações tão rigorosas muitas vezes levam a resultados que não podem ser reproduzidos, contribuindo para a grande crise de reprodutibilidade na ciência atual“, diz ela.
Os resultados incluíram que certos perfis de proteínas podem mudar significativamente ao longo do diagnóstico do câncer. Algumas proteínas já apresentam concentrações mais altas antes do diagnóstico. Essas descobertas sugerem que o potencial da proteômica para a detecção precoce do câncer deve ser mais explorado.
O estudo foi conduzido pelo SciLifeLab em Estocolmo e envolveu a colaboração de mais de 100 pesquisadores em todo o mundo.
DOI 10.1126/science.adx2678
