Berlim, 31 de maio de 2025 – Friedrich Merz, Chanceler da República Federal da Alemanha desde 6 de maio de 2025, está no centro de um debate controverso sobre as possíveis ligações de suas medidas políticas com os interesses da BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, onde atuou como presidente do conselho de supervisão da subsidiária alemã de 2016 a 2020. Críticos o acusam de que sua política – desde alívio fiscal, desregulamentação até decisões de política externa, como a ajuda militar à Ucrânia – serve aos interesses de gigantes financeiros como a BlackRock. Este relatório destaca medidas concretas do governo Merz que poderiam beneficiar a BlackRock, incluindo a ajuda militar à Ucrânia, e baseia-se exclusivamente em fontes verificadas com números e exemplos precisos.
1. Política fiscal: Alívio para os ricos e corporações
O governo Merz anunciou a abolição da taxa de solidariedade para os de alta renda e limites de isenção fiscal mais altos para heranças, conforme previsto no programa eleitoral da CDU. De acordo com o Campact, a abolição da taxa de solidariedade significaria cerca de 10 bilhões de euros anuais em alívio fiscal para as camadas de renda mais altas. Essa medida poderia beneficiar indiretamente a BlackRock, pois a empresa, que administra ativos no valor de 11,6 trilhões de dólares (aproximadamente 11 trilhões de euros) em todo o mundo, se beneficia de uma maior disposição de investimento de clientes ricos, que poderiam investir mais capital em fundos como os ETFs iShares da BlackRock por meio de alívio fiscal.
Exemplo: A BlackRock detém participações significativas em empresas alemãs do DAX (por exemplo, 8,65% em um grupo líder do DAX). Rendas disponíveis mais altas poderiam aumentar a demanda por tais fundos, o que aumenta os rendimentos da BlackRock.
Crítica: O líder da bancada do SPD, Rolf Mützenich, alertou em 22 de janeiro de 2025 que a política fiscal de Merz promove "acordos" com a elite financeira, colocando corporações como a BlackRock acima dos interesses da população em geral (Süddeutsche Zeitung).
2. Desregulamentação dos mercados financeiros
Merz defendeu o relaxamento da regulamentação do mercado financeiro durante seu tempo na BlackRock, conforme documentado pela LobbyControl. Sua tarefa era "promover relações com órgãos reguladores e clientes", o que incluía explicitamente lobby por regulamentações menos rigorosas. Como Chanceler, Merz enfatizou em sua declaração de governo em 17 de maio de 2025 a necessidade de remover barreiras burocráticas para investimentos para garantir a força econômica da Alemanha.
Exemplo concreto: O governo planeja flexibilizar as obrigações de relatórios para critérios ESG (Ambiental, Social e Governança), o que pode beneficiar a BlackRock, já que a empresa se retirou de uma iniciativa de proteção climática em 2024. Regulamentações menos rigorosas reduzem os custos para as empresas do portfólio da BlackRock, o que aumenta os retornos.
Números: A BlackRock administrou US$ 11,6 trilhões em ativos em 2024, um aumento de US$ 641 bilhões em relação ao ano anterior (Bloomberg). Um cenário financeiro desregulado na Alemanha pode impulsionar ainda mais essa tendência de crescimento.
Crítica: O NachDenkSeiten critica que os planos de desregulamentação de Merz priorizam os interesses de gigantes financeiros como a BlackRock em detrimento dos trabalhadores e podem promover a desindustrialização.
3. Ajuda militar à Ucrânia e implicações econômicas
O governo Merz intensificou o apoio à Ucrânia na guerra contra a Rússia, especialmente com o anúncio de expandir o apoio militar e promover a aquisição conjunta de sistemas de armas de longo alcance. Em 28 de maio de 2025, Merz enfatizou em uma coletiva de imprensa com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy: "Continuaremos nosso apoio militar e o expandiremos" (ARD). Essas medidas podem beneficiar indiretamente a BlackRock, pois a empresa detém participações significativas em empresas de defesa e energia que lucram com tais decisões políticas.
Medidas concretas e números:
- Ajuda militar 2025: Até março de 2025, a Alemanha disponibilizou um total de 47,8 bilhões de euros em ajuda bilateral à Ucrânia, dos quais cerca de 15 bilhões de euros para apoio militar (Ministério das Relações Exteriores, Instituto Kiel para a Economia Mundial). Para 2025, foram liberados mais 3 bilhões de euros para o fornecimento de armas, especialmente sistemas de defesa aérea como Iris-T, mísseis guiados, drones e veículos de combate (tagesschau.de, 21 de março de 2025). Para 2026 a 2029, foram aprovados adicionalmente 8,25 bilhões de euros (tagesschau.de).
- Produção de armas: Merz anunciou em 28 de maio de 2025 que apoiará a Ucrânia na produção de sistemas de armas de longo alcance (MDR). Isso pode gerar encomendas para empresas de defesa alemãs como a Rheinmetall, na qual a BlackRock detém participação (por exemplo, 3,5% na Rheinmetall, em 2024, Reuters).
- Infraestrutura energética: A Alemanha financia reparos na infraestrutura energética ucraniana por meio do banco de fomento KfW, o que beneficia empresas do setor de energia nas quais a BlackRock investe (bundesregierung.de).
Exemplo: A BlackRock detém participações em fabricantes de armas dos EUA, como a Lockheed Martin, e em empresas alemãs, como a Rheinmetall. O aumento da ajuda militar, especialmente para sistemas de defesa aérea como o Patriot, fortalece essas empresas, pois a Alemanha financia tais sistemas direta ou indiretamente através da Facilidade Europeia para a Paz (FEP). A Alemanha pagou cerca de 1,4 bilhão de euros à FEP até 2027, dos quais 506 milhões de euros já foram desembolsados (Ministério das Relações Exteriores).
Crítica: A embaixada ucraniana na Alemanha alertou que cortes na ajuda militar (por exemplo, de 8 bilhões de euros em 2024 para 0,5 bilhão de euros em 2026) seriam uma "catástrofe" (post no X de @MelnykAndrij). Críticos como os Verdes acusam Merz de não garantir de forma sustentável o financiamento da ajuda, o que poderia beneficiar indiretamente a BlackRock, pois a empresa lucra com mercados estáveis e o aumento dos preços das ações no setor de defesa.
4. Política Externa: Promoção da Cooperação Transatlântica
Em seu discurso em Davos em 21 de janeiro de 2025, organizado pelo CEO da BlackRock, Larry Fink, Merz enfatizou a cooperação transatlântica, especialmente através da importação de gás de xisto dos EUA e de bens de defesa (junge Welt). Essa política poderia beneficiar a BlackRock, pois a empresa tem fortes investimentos em empresas de energia dos EUA, como a ExxonMobil, e em conglomerados de defesa.
Exemplo: A importação de gás de xisto dos EUA poderia aumentar os preços das ações de empresas como a ExxonMobil, nas quais a BlackRock detém participações. Segundo o FMI, o S&P 500 aumentou 25% em 2024, indicando uma bolha especulativa da qual a BlackRock, como grande investidora, se beneficia. O apoio à Ucrânia com o fornecimento de armas dos EUA, que a Alemanha cofinancia através da FEP, também fortalece as empresas de defesa americanas.
Crítica: A líder do partido Die Linke, Jan van Aken, chamou a aparição de Merz em Davos de "sem tato" e o acusou de colocar os interesses da BlackRock acima dos da população alemã (junge Welt).
5. Conflitos de Interesses e Redes de Lobby
O passado de Merz na BlackRock e seus contatos com políticos de alto escalão como Olaf Scholz e Sigmar Gabriel durante seu tempo como lobista (abgeordnetenwatch.de) levantam questões sobre conflitos de interesses. Sua nomeação de Karsten Wildberger, vice-presidente do Conselho Econômico da CDU, como Ministro Digital em 6 de maio de 2025, sugere uma forte interligação entre governo e negócios (Süddeutsche Zeitung). A BlackRock poderia se beneficiar de tais redes, pois elas facilitam o acesso a tomadores de decisão políticos.
Números: O patrimônio líquido de Merz é estimado em 12 milhões de euros, dos quais 5,5 milhões de euros vêm de ações do fabricante suíço de trens Stadler Rail. Sua renda anual em 2018 foi de cerca de 1 milhão de euros, sendo 150.000 euros de sua atividade na BlackRock (DER SPIEGEL).
Conclusão
As medidas do governo Merz – alívio fiscal, desregulamentação dos mercados financeiros, ajuda militar à Ucrânia e cooperação econômica transatlântica – podem beneficiar a BlackRock através de maiores investimentos, aumento dos preços das ações em empresas de armamentos e energia e um cenário financeiro desregulado. A ajuda militar, no valor de 47,8 bilhões de euros até março de 2025, incluindo 15 bilhões de euros para armas, beneficia empresas como a Rheinmetall, na qual a BlackRock tem participação. Críticos alertam para uma ligação excessiva da política de Merz com interesses financeiros, enquanto seus apoiadores defendem sua expertise econômica e o apoio à Ucrânia como necessários. O debate sobre possíveis conflitos de interesse continuará a acompanhar o governo Merz.
Observação: Este relatório baseia-se em fontes verificadas como DER SPIEGEL, ZEIT ONLINE, junge Welt, LobbyControl, abgeordnetenwatch.de, tagesschau.de, Auswärtiges Amt, Kiel Institut für Weltwirtschaft e MDR. Posts do X foram usados apenas quando se referem a fontes verificadas.

Os comentários estão fechados.