Uma nova tese de doutorado da Universidade de Borås, Suécia, apresenta avanços empolgantes na área de regeneração óssea. O método apresentado utiliza bactérias para produzir fibras que podem auxiliar na cicatrização óssea.
Sabrina Kopf, estudante de doutorado em tecnologia de polímeros, investigou como um bioplástico especial, o polihidroxialcanoato (PHA), produzido por bactérias, pode ser utilizado.

“A ideia é usar essas fibras em estruturas têxteis que possam auxiliar na cicatrização óssea em grandes defeitos ósseos. Para que os ossos possam cicatrizar, as células ósseas precisam de algo a que se fixar. As células ósseas reconhecem a substância fosfato de cálcio. Por isso, adicionamos essa substância às fibras”, explicou ela.
O maior desafio do projeto foi processar o PHA em fibras com os equipamentos disponíveis no laboratório. Ao derreter o plástico e pressioná-lo através de um orifício, de forma semelhante à produção de espaguete, ela conseguiu produzir as fibras. Estas foram subsequentemente testadas com células ósseas para verificar se as células conseguiam sobreviver no material.
“Descobriu-se que é possível produzir fibras com resistência semelhante à do osso. Além disso, conseguimos produzir estruturas têxteis simples, tricotadas e tecidas, a partir dessas fibras. As células ósseas aderiram à superfície do material e pareceram saudáveis, o que é um bom sinal”, disse Sabrina Kopf.
Grande necessidade de materiais substitutos ósseos
O osso é o segundo tecido mais transplantado no mundo, depois do sangue, o que indica uma necessidade considerável de materiais substitutos ósseos.
“Hoje em dia, usa-se frequentemente osso do próprio paciente, ou seja, o osso é retirado, por exemplo, da pélvis e transplantado para a região danificada do corpo. Isso limita a quantidade de osso disponível. Além disso, o risco de complicações no local de retirada é alto. O uso de materiais sintéticos como as fibras de PHA pode ser uma solução para esse problema”, disse Sabrina Kopf.
Alternativa ecológica
As fibras de PHA também são ecológicas. Elas podem ser produzidas a partir de resíduos e se decompõem em todos os ambientes sem permanecer como microplástico. Isso as torna uma opção sustentável para o futuro.
Avanços na pesquisa biomédica
“Os resultados do meu projeto representam um pequeno avanço na pesquisa biomédica e podem inspirar outros pesquisadores a explorar o potencial dos têxteis em aplicações médicas”, disse Sabrina.
A pesquisa na Universidade de Borås foca em desenvolvimento sustentável com base nos objetivos globais. Sabrina explicou como este projeto se relaciona com esses objetivos:
A capacidade de criar fibras a partir de PHA não beneficia apenas o setor da saúde, embora essa tenha sido a abordagem do meu trabalho de conclusão de curso. As fibras também podem ser usadas em outras aplicações têxteis, contribuindo em todas as áreas onde os têxteis contribuem para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, pois o PHA e seus produtos são biodegradáveis e não causam impacto negativo no meio ambiente.
Sabrina Kopf defendeu seu trabalho de conclusão de curso na Universidade de Borås, Suécia, em 23 de abril.
Leia a dissertação: Fibras de polihidroxialcanoato fiadas por fusão para aplicações biomédicas.
Orientador principal: Professor Mikael Skrifvars.
Coorientadores: Professor Dan Åkesson e Maria Persson, Professora.
Examinador externo: Professor J?nis Lo?s, Universidade Técnica de Riga.

