Bilbao, 3 de julho de 2025 – Uma equipe de pesquisa liderada pelo Dr. Iñigo L. Sistiaga, do Hospital Universitário Cruces, na Espanha, documentou um caso raro, porém grave, de complicações tardias após radiocirurgia estereotáxica (SRS) em uma malformação arteriovenosa (MAV) cerebral. O relatório, publicado em 13 de janeiro de 2025 no Chinese Neurosurgical Journal, descreve como um cisto inicialmente inofensivo levou a um hematoma crônico perigoso anos após o tratamento. As descobertas exigem uma revisão das estratégias de tratamento e enfatizam a necessidade de acompanhamento a longo prazo.
MAV é uma anomalia vascular na qual o sangue flui diretamente de artérias para veias, sem passar pela rede capilar. Isso pode danificar o tecido cerebral circundante e causar sintomas como dores de cabeça, convulsões ou sangramento. A SRS, uma radioterapia de precisão, é considerada um tratamento eficaz e não invasivo, especialmente para MAVs em regiões cerebrais sensíveis. No entanto, os riscos a longo prazo, como a formação de cistos induzidos por radiação (CF) e hematomas crônicos encapsulados e expansivos (CEEH), são pouco pesquisados.
O caso documentado envolve um homem de 28 anos que se submeteu à SRS. Dez anos depois, ele desenvolveu um cisto cerebral em crescimento, inicialmente assintomático. Apesar da drenagem cirúrgica do cisto, um CEEH – um coágulo sanguíneo em expansão em uma cápsula de tecido conjuntivo – ocorreu posteriormente, exigindo a remoção do lobo cerebral afetado. Uma análise posterior revelou que um nódulo angiomatoso não detectado, um crescimento vascular benigno, dentro do cisto era responsável pelo sangramento contínuo. "O que parece um cisto inofensivo pode, na verdade, ser o estágio inicial de uma complicação mais grave", adverte o Dr. Sistiaga. "Se um nódulo realçador de contraste for visto, a remoção cirúrgica agressiva pode ser a única saída para prevenir uma recorrência mais perigosa."
O estudo sugere que CF e CEEH não são eventos isolados, mas parte de um contínuo patológico. Os pesquisadores criticam a prática comum de apenas drenar cistos e defendem a remoção completa de cistos e nódulos vasculares associados. Além disso, enfatizam a importância do acompanhamento a longo prazo. Embora uma angiografia após a SRS tenha mostrado a eliminação bem-sucedida da MAV, alterações leves induzidas por radiação já eram visíveis cinco anos depois, que deveriam ter sido reconhecidas como sinais de alerta.
„A incidência estimada de FC após SRS é inferior a 5%, e a CEEH é ainda mais rara. No entanto, em combinação, essas complicações podem afetar até 7% dos pacientes tratados“, explica o Dr. Sistiaga. A natureza tardia e inespecífica dessas complicações aumenta o risco de subdiagnóstico, especialmente sem acompanhamento regular. Dada a crescente utilização da SRS, o caso ressalta a urgência de otimizar os protocolos de acompanhamento e aumentar a conscientização sobre esses riscos.
O trabalho, desenvolvido em colaboração com o Biocruces Bizkaia Health Research Institute e a Universidade do País Basco, defende uma mudança de paradigma no tratamento de cistos induzidos por radiação. Através de intervenções cirúrgicas precoces e agressivas e acompanhamento rigoroso, sequelas neurológicas graves poderiam ser prevenidas, melhorando ainda mais a segurança da terapia SRS para pacientes com MAV.
