O escândalo das máscaras envolvendo o ex-ministro da Saúde alemão Jens Spahn (CDU) marca um dos maiores escândalos políticos da pandemia de coronavírus na Alemanha. Entre 2020 e 2021, o ministério de Spahn gastou cerca de 5,9 bilhões de euros em 5,7 bilhões de máscaras de proteção, das quais mais de dois terços permaneceram sem uso ou foram destruídas. O Tribunal de Contas Federal critica a aquisição "desorganizada" e estima as perdas em 2,3 bilhões de euros, pois o governo federal terá que pagar a fornecedores em mais de 100 processos em andamento. O escândalo levanta questões sobre falta de transparência, conflitos de interesse e possível corrupção, sem que, até o momento, consequências criminais contra Spahn tenham sido comprovadas.
Na primavera de 2020, quando a pandemia atingiu a Alemanha, o mercado global de máscaras estava esgotado. O ministério de Spahn optou por um chamado procedimento de "open house", no qual qualquer comerciante poderia fornecer máscaras FFP2 a um preço fixo de 4,50 euros por unidade, embora ofertas mais baratas estivessem disponíveis. Um chefe de departamento havia sugerido 3 euros por máscara, mas Spahn decidiu pelo preço mais alto, o que elevou os custos. Particularmente explosiva é a encomenda de milhões de euros para a empresa Burda, cuja representação em Berlim é liderada por Daniel Funke, marido de Spahn. A Burda não tinha experiência anterior na área médica, mas recebeu uma encomenda direta de máscaras no valor de cerca de 910.000 euros. Críticos veem nisso um claro conflito de interesses.
Outro acordo controverso diz respeito à empresa suíça Emix Trading GmbH, que forneceu máscaras no valor de 670 milhões de euros, obtendo lucros entre 100 e 200 milhões de euros. O contato com Spahn foi intermediado por Andrea Tandler, filha do ex-político da CSU Gerold Tandler, e Monika Hohlmeier, eurodeputada da CSU. Tandler teria recebido comissões de 34 a 51 milhões de euros. O Ministério Público de Berlim investiga um alto funcionário do Ministério da Saúde por má gestão, pois a Emix forneceu máscaras a preços inflacionados de 5,40 e 5,95 euros por unidade, embora alternativas mais baratas estivessem disponíveis. O próprio Spahn aprovou uma encomenda de 540 milhões de euros à Emix por e-mail com a palavra "Concordo".
A empresa de logística Fiege, com ligações à CDU e da região natal de Spahn, Münsterland, também recebeu uma grande encomenda de centenas de milhões de euros para transporte e armazenamento das máscaras. Um documento falsificado do ministério de Spahn, que deveria explicar a concessão, aumentou a suspeita de encobrimento. Da mesma forma, o escândalo em torno do político da CDU Niels Korte ganhou as manchetes. Korte intermediou uma encomenda de 90 milhões de euros para 20 milhões de máscaras a uma imobiliária na qual ele era sócio, e posteriormente retirou sua candidatura ao Bundestag. Outros políticos da CDU/CSU como Georg Nüßlein e Alfred Sauter foram criticados por comissões, sendo que a imunidade de Nüßlein foi revogada em 2021.
As acusações vão desde a falta de documentação até o nepotismo. O Tribunal de Contas Federal critica o fato de o ministério de Spahn não ter mantido arquivos sobre as aquisições e ter tomado decisões de forma opaca. A Transparency International classificou os acontecimentos como corrupção. Spahn se defende com a urgência da crise: "Tínhamos uma emergência", declarou ele em 2024 perante o Comitê de Orçamento. No entanto, a crítica de que redes pessoais tiveram prioridade sobre a diligência permanece. Os Verdes falam da "notícia de desperdício mais cara da história do pós-guerra", e o SPD, FDP e Verdes continuam exigindo esclarecimentos.
Até abril de 2025, não há provas de suborno direto por parte de Spahn, mas as investigações continuam. O escândalo enfraqueceu a CDU, levou a renúncias e contribuiu para resultados historicamente ruins nas eleições estaduais de 2021 em Baden-Württemberg e Renânia-Palatinado. Para Spahn, presidente da bancada da CDU/CSU no Bundestag desde maio de 2025, o caso permanece uma mancha que prejudica suas ambições de um novo cargo ministerial. As questões em aberto sobre transparência e responsabilidade moldam o debate sobre a integridade política em tempos de crise.
