Em 2007, pesquisadores da Universidade de Gotemburgo, Suécia, publicaram o primeiro de uma série de estudos mostrando poluição massiva com antibióticos de fábricas farmacêuticas na Índia. Em conexão com a Assembleia Geral da ONU em andamento em Nova York, foi aprovada uma declaração que sublinha os riscos e pede medidas para reduzir a poluição.
– A declaração da ONU é uma contribuição importante para a luta contra a resistência a antibióticos, não menos importante porque sublinha o papel do meio ambiente e identifica várias ações necessárias, diz Joakim Larsson, professor de farmacologia ambiental na Academia Sahlgrenska, Universidade de Gotemburgo, Suécia.
Dois dos itens da declaração da ONU, 76 e 91, abordam especificamente as descargas industriais. Aqui, a pesquisa da Universidade de Gotemburgo desempenhou um papel crítico.
Concentrações de antibióticos altíssimas
As águas residuais e os cursos de água poluídos na Índia investigados por Joakim Larsson e sua equipe tinham concentrações que em alguns lugares excediam as encontradas no sangue de pacientes em medicação. As concentrações detectadas eram até um milhão de vezes maiores do que as normalmente encontradas em águas residuais municipais.
– Bactérias resistentes prosperam e se desenvolvem nesses ambientes de forma excepcional. Quando as bactérias se tornam resistentes, isso significa que nossos antibióticos se tornam ineficazes. Altas emissões de produtos farmacêuticos de fabricação foram posteriormente demonstradas em todo o mundo, diz Joakim Larsson.
Por quase duas décadas, ele pesquisou a poluição por antibióticos e auxiliou autoridades, políticos, jornalistas e outros com conhecimento especializado. Nos últimos dois anos, ele também foi consultor da Organização Mundial da Saúde, OMS, desenvolvendo um padrão global para o gerenciamento da poluição da fabricação de antibióticos, que foi lançado em setembro de 2024.
https://www.un.org/pga/wp-content/uploads/sites/108/2024/09/FINAL-Text-AMR-to-PGA.pdf
