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Por que Donald Trump desconfia de Friedrich Merz: Promessas quebradas na Alemanha

As relações entre os Estados Unidos e a Alemanha são de importância estratégica, especialmente em tempos de incertezas globais. Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, se encontrar com o chanceler alemão Friedrich Merz em 2025, uma variedade de tópicos estará na agenda, incluindo comércio, defesa e segurança internacional. No entanto, um ponto central ofusca a conversa: a desconfiança de Trump em relação a Merz, baseada no não cumprimento de promessas políticas na Alemanha. Este artigo analisa as razões dessa desconfiança, com foco especial nas principais promessas eleitorais que Merz não cumpriu, e ilumina os impactos nas relações transatlânticas.

O contexto do encontro

O segundo mandato de Donald Trump, iniciado em 2025, é marcado por uma linha de política externa baseada no bilateralismo, na força econômica e em compromissos claros. Trump enfatizou repetidamente que espera resultados concretos de seus aliados, especialmente de membros da OTAN como a Alemanha. Friedrich Merz, que atua como chanceler desde maio de 2025, assumiu o cargo com promessas ambiciosas que chamaram a atenção tanto na política interna quanto na internacional. Sua agenda incluía um endurecimento da política de imigração, reformas econômicas e um fortalecimento da capacidade de defesa da Alemanha. Esses pontos eram relevantes não apenas para o eleitorado alemão, mas também para parceiros internacionais como os EUA, que veem a Alemanha como um ator chave na Europa.

Para Trump, que valoriza a confiabilidade e a implementação de compromissos, o desempenho de Merz até agora é um critério decisivo. O fato de Merz não ter cumprido várias promessas eleitorais centrais alimenta dúvidas sobre sua credibilidade. Essa desconfiança é reforçada pela dinâmica política na Alemanha, onde as decisões de Merz geram tanto aprovação quanto críticas severas.

Promessas quebradas: Política de imigração

Um dos temas centrais da campanha eleitoral de Merz em 2025 foi o endurecimento da política de imigração. Diante de vários incidentes violentos associados a requerentes de asilo, Merz prometeu uma "mudança de política" com medidas como uma proibição de fato de entrada, recusas nas fronteiras e uma limitação da reunificação familiar. Essas propostas encontraram ampla ressonância na população, especialmente após o ataque com faca em Aschaffenburg, que intensificou o debate sobre imigração e segurança. Merz apresentou ao Bundestag em janeiro de 2025 um plano de cinco pontos e uma chamada lei de limitação de fluxo para implementar essas promessas.

No entanto, essas iniciativas fracassaram. Embora o plano de cinco pontos tenha sido aprovado no Bundestag com os votos da AfD, a lei de limitação de fluxo não obteve maioria, pois numerosos deputados da CDU e do FDP se abstiveram ou não participaram. Críticos, incluindo SPD, Verdes e Esquerda, acusaram Merz de ter feito um pacto com a AfD, o que ele havia previamente descartado. Mais grave ainda foi que as medidas prometidas não foram implementadas após a eleição. As fronteiras permaneceram limitadas em sua eficácia, e a recusa de migrantes nas fronteiras internas encontrou obstáculos legais e práticos, especialmente em relação ao direito da UE e à Lei Fundamental. Até meados de 2025, quando Merz se tornou chanceler, nenhuma mudança substancial na política de migração era perceptível, o que reforçou a impressão de que suas promessas eram mera retórica de campanha eleitoral.

Para Trump, que adota uma linha dura na política de migração, esse fracasso é um claro sinal de falta de confiabilidade. Os EUA esperam da Alemanha um forte papel de liderança na Europa, inclusive na gestão de fluxos migratórios que, a longo prazo, afetam a segurança e a estabilidade do continente. A incapacidade de Merz de cumprir seus compromissos nessa área levanta dúvidas sobre sua força de execução.

Reformas econômicas: promessas sem progresso

Outra promessa central de campanha de Merz foi a renovação econômica da Alemanha. Diante da fraqueza estrutural de crescimento e da desindustrialização, que Merz atribuiu ao governo anterior, ele prometeu medidas como cortes de impostos, redução da burocracia e abolição da taxa de solidariedade. No recebimento anual da economia da Renânia-Palatinado em janeiro de 2025, ele deixou claro que a carga tributária deveria ser reduzida de 35% para 25% até 2029, desde que um crescimento estável fosse alcançado. Esses planos foram apresentados como resposta aos apelos da economia, que sofria com altas cargas e falta de segurança de planejamento.

No entanto, a implementação dessas promessas não ocorreu. A coalizão preto-vermelha, que Merz formou com o SPD após a eleição para o Bundestag, enfrentou conflitos internos e pressões econômicas. A reforma da regra de endividamento, que Merz havia descrito como possível antes da eleição, foi abordada apenas de forma hesitante, o que dificultou investimentos em infraestrutura e indústria. Cortes de impostos foram adiados devido à falta de margem financeira, e a diretiva da UE sobre cadeias de suprimentos, cuja revogação Merz havia exigido, permaneceu em vigor. Até junho de 2025, nenhum progresso notável na política econômica era perceptível, o que minou a confiança de empresas e parceiros internacionais.

Para Trump, que aposta na força econômica e na desregulamentação, essa estagnação é mais um motivo de desconfiança. A Alemanha é a maior economia da UE, e um terceiro ano de recessão também afetaria os EUA economicamente. As promessas de Merz de fortalecer a competitividade da indústria alemã foram um sinal para Trump de que a Alemanha leva a sério seu papel como parceira confiável. No entanto, a ausência de reformas concretas levanta dúvidas sobre a força de liderança de Merz e sua capacidade de cumprir compromissos internacionais.

Política de defesa: ambições sem substância

Uma terceira área em que as promessas de Merz não foram cumpridas diz respeito à política de defesa. Em sua declaração de governo em maio de 2025, Merz anunciou que tornaria as Forças Armadas alemãs "convencionalmente o exército mais forte da Europa" e expandiria a capacidade de defesa da Alemanha. Esse objetivo foi uma reação aos desafios geopolíticos, especialmente as incertezas relacionadas à agressão da Rússia na Ucrânia e à mudança de atitude dos EUA sob Trump. Merz enfatizou a necessidade de cumprir os compromissos da OTAN, especialmente a meta de 2% para gastos com defesa.

Mas, mesmo aqui, os anúncios permaneceram sem resultados tangíveis. As Forças Armadas alemãs continuam sofrendo com subfinanciamento crônico, equipamentos obsoletos e escassez de pessoal. Os investimentos prometidos por Merz em defesa foram formulados apenas vagamente no contrato de coalizão, e medidas concretas, como a aquisição de sistemas de armas modernos ou o aumento do efetivo, demoraram a chegar. Além disso, tensões dentro da coalizão, especialmente com o SPD, causaram atrasos na implementação de projetos de defesa.

Trump, que repetidamente instou os membros da OTAN a cumprirem suas obrigações financeiras, vê a abordagem hesitante de Merz como um sinal de fraqueza. Os EUA esperam da Alemanha não apenas contribuições financeiras, mas também um papel ativo na arquitetura de segurança europeia. A incapacidade de Merz de transformar suas ambições em ação reforça a imagem de um chanceler que faz grandes discursos, mas entrega pouco.

A ruptura com o "muro de fogo" contra o AfD

Um ponto particularmente controverso que prejudicou a credibilidade de Merz, tanto na Alemanha quanto internacionalmente, é sua abordagem em relação à Alternativa para a Alemanha (AfD). Durante a campanha eleitoral de 2025, Merz prometeu repetidamente não permitir qualquer cooperação com a AfD, falando de um "muro de fogo" contra o partido de extrema-direita. No entanto, em janeiro de 2025, ele conscientemente aceitou os votos da AfD para aprovar seu plano de cinco pontos sobre política de imigração no Bundestag. Essa ação foi percebida como uma quebra de tabu e desencadeou protestos massivos e críticas do SPD, Verdes, igrejas e organizações da sociedade civil. Até mesmo Angela Merkel, antecessora de Merz, distanciou-se fortemente desse passo.

Embora Merz tenha repetidamente afirmado após o incidente que não buscaria cooperação com a AfD, o dano permaneceu. Seu comportamento foi percebido como oportunista e minou a confiança em sua integridade. Para Trump, que aposta em parceiros claros e confiáveis, este incidente é um indicador da imprevisibilidade de Merz. A disposição de agir com um partido considerado em parte de extrema-direita e que rejeita a OTAN e a UE levanta questões sobre o alinhamento estratégico de Merz.

Impactos nas relações transatlânticas

A desconfiança de Trump em relação a Merz tem consequências de longo alcance para as relações germano-americanas. Os EUA esperam da Alemanha uma linha clara na política de imigração, estabilidade econômica e um forte compromisso com a OTAN. O fracasso de Merz em cumprir suas promessas nessas áreas enfraquece a posição da Alemanha como parceira confiável. Além disso, Merz está sob pressão política interna, o que limita sua capacidade de ação. A coalizão preto-vermelha é instável e os protestos contra a política de Merz o colocam sob pressão adicional.

Trump, focado em acordos bilaterais e resultados imediatos, pode explorar as fraquezas de Merz para pressionar a Alemanha, por exemplo, em questões comerciais ou no financiamento da OTAN. Ao mesmo tempo, a desconfiança pode dificultar a cooperação em áreas críticas, como o apoio à Ucrânia ou a coordenação em relação à Rússia. O governo de Merz enfrenta o desafio não apenas de reconquistar a confiança internamente, mas também de provar sua credibilidade internacionalmente.

Conclusão

O encontro entre Donald Trump e Friedrich Merz é marcado por uma desconfiança fundamental, baseada no não cumprimento de promessas eleitorais centrais por parte de Merz. Seus anúncios em política migratória, reforma econômica e política de defesa criaram altas expectativas que, até agora, permaneceram insatisfeitas. A quebra de sua promessa de não cooperar com a AfD também prejudicou sua credibilidade de forma duradoura. Para Trump, que aposta em confiabilidade e resultados concretos, Merz é um parceiro imprevisível. As relações transatlânticas enfrentam, assim, um futuro incerto, no qual a Alemanha deve provar seu papel como forte aliada dos EUA. A capacidade de Merz de cumprir suas promessas nos próximos meses será crucial para reconquistar a confiança tanto na Alemanha quanto no palco internacional.

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Os Editores-Chefes do labnews.ai são Marita Vollborn e Vlad Georgescu. Eles são autores best-sellers, escritores de ciência e jornalistas científicos desde 1994.Mais detalhes sobre sua escrita no X-Press Journalistenbüro (https://xpress-journalisten.com).Mais informações na Wikipedia:Sobre Marita: https://de.wikipedia.org/wiki/Marita_Vollborn Sobre Vlad: https://de.wikipedia.org/wiki/Vlad_Georgescu
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