Em março de 2021, médicos da Friedrich-Alexander-Universität Erlangen-Nürnberg (FAU) trataram, pela primeira vez no mundo, uma jovem com uma doença autoimune grave com células T com receptores de antígenos quiméricos (CAR). Hoje, quase 3 anos depois, eles puderam publicar um estudo piloto no renomado periódico New England Journal of Medicine e mostrar que, de fato, várias doenças autoimunes desaparecem completamente por um longo período após a terapia com células CAR-T, sem a necessidade de tratamento medicamentoso adicional.
O tratamento com células CAR-T é possibilitado por um laboratório especial de sala limpa na Clínica Médica 5 do Hospital Universitário de Erlangen. Lá, as células imunológicas do próprio corpo do paciente são transformadas em armas terapêuticas (células CAR-T). Esses medicamentos vivos são produzidos por uma espécie de "Maître" – o PD Dr. Michael Aigner e sua equipe do laboratório GMP –, que supervisiona o processo de fabricação e verifica a qualidade das células antes que elas sejam devolvidas ao paciente. As células CAR-T atacam de forma muito completa os linfócitos B causadores de doenças na medula óssea, nos gânglios linfáticos e em todos os outros órgãos. A eliminação completa das células B leva, em última análise, à cura da doença, o que a publicação no New England Journal of Medicine comprova de forma muito impressionante agora.
Essas descobertas são um avanço na imunomedicina. Já é possível aplicar a terapia com células CAR-T no âmbito do chamado estudo CASTLE, que está sendo realizado no Hospital Universitário de Erlangen, em mais pacientes com formas graves de lúpus eritematoso sistêmico, esclerose sistêmica e miosite. Os interessados podem escrever para o endereço de e-mail Car-T-Cell.UKER@uk-erlangen.de.
* DOI: 10.1056/NEJMoa2308917
Müller F, et al. CD19 CAR T-Cell Therapy in Autoimmune Disease — A Case Series with Follow-up. N Engl J Med 2024;390:687-700.
