Ganzhou (LabNews Media LLC) – Interfaces cérebro-computador (BCI) oferecem novas possibilidades para a reabilitação motora de pacientes com AVC grave, nos quais o movimento voluntário é escasso ou inexistente. Essa é a conclusão de uma revisão narrativa publicada na revista científica Frontiers in Bioengineering and Biotechnology.
Os autores analisam o uso de tecnologias BCI que captam sinais neurais diretamente e os convertem em comandos de controle para dispositivos externos, como braços robóticos ou estimulação elétrica funcional. Ao acoplar a intenção motora com o feedback sensorial, a neuroplasticidade é promovida e a recuperação das funções motoras é apoiada.
Combinações de imaginação motora (MI-BCI), estimulação elétrica funcional (FES), treinamento assistido por robô e realidade virtual (VR) mostram-se particularmente eficazes. Meta-análises e estudos controlados randomizados comprovam efeitos de moderados a grandes na melhora da função dos membros superiores e inferiores, que são parcialmente detectáveis mesmo após seis meses.
Os autores enfatizam que os sistemas BCI representam um complemento útil às terapias convencionais, especialmente para pacientes com função motora residual muito baixa (escore Fugl-Meyer < 20). No entanto, ainda existem desafios significativos, incluindo estabilidade do sinal, altos custos, operação complexa e falta de padronização.
Desenvolvimentos futuros se concentram na integração de Inteligência Artificial para circuitos de controle adaptativos e fechados, bem como em sistemas vestíveis e mais acessíveis, para tornar a tecnologia mais amplamente utilizável.
O trabalho destaca o potencial das BCI como inovação biotecnológica na neurorreabilitação e exige colaboração interdisciplinar para transferir a tecnologia do estágio experimental para a rotina clínica.
