HOXB13, um fator de transcrição homeobox da classe B, desempenha um papel central na pesquisa do câncer de próstata, tanto na detecção precoce quanto no tratamento. Um estudo, publicado em 7 de agosto de 2025 em Frontiers of Medicine (DOI: 10.1007/s11684-024-1119-x), demonstra que transcritos de HOXB13 na urina podem melhorar a detecção precoce do câncer de próstata como biomarcadores não invasivos, enquanto os níveis teciduais ajudam a estratificar pacientes para terapias direcionadas, como inibição de BET ou do domínio de brometo do receptor de androgênio (AR).

A investigação destaca a natureza dualista do HOXB13, que atua como oncogene ou supressor de tumor dependendo do contexto. Na próstata, o HOXB13 forma heterodímeros com MEIS1 que suprimem a sinalização do receptor de androgênio (AR) e promovem o supressor de tumor Decorin. Mutações na linha germinativa, como G84E, encontradas em 3,5% dos finlandeses, prejudicam essa ligação, promovem a colaboração com variantes de splicing de AR-V7 e impulsionam o desenvolvimento tumoral. Essa mutação é quase ausente no Leste Asiático, ressaltando as diferenças geográficas na estratégia clínica. Diretrizes de rastreio recomendam testes de PSA a partir dos 40 anos para portadores de G84E, enquanto painéis multiplex com HOXB13, BRCA2 e ATM melhoram a previsão de risco.
Terapeuticamente, inibidores de HDAC4 como o butirato de sódio demonstram a capacidade de reativar o HOXB13 em tumores de próstata AR-negativos. O antagonista de BET JQ1 desloca BRD4 do promotor de HOXB13, e inibidores de DNMT revertem a hipermetilação de CpG, como visto no câncer colorretal. O ácido retinóico ou o bloqueio de EZH2 reduzem H3K27me3, restaurando a função supressora de tumor do HOXB13. Decorin e CHD1 interrompem as interfaces HOXB13-AR ou HOXB13-MEIS1, limitando a resistência à castração. Estudos de Fase II combinam inibidores de BET e PI3K para explorar a dependência de HOXB13 no câncer de próstata metastático resistente à castração.
Em nível molecular, o HOXB13 é regulado por mecanismos epigenéticos complexos. No câncer de próstata, BRD4 promove o depósito de H3K27ac no promotor de HOXB13, impulsionando a superexpressão. Em cânceres de endométrio e gliomas, H3K27me3 mediado por EZH2 ou HDAC4 recrutado por YY1 leva ao silenciamento. A metilação de CpG e a edição de m6A do mRNA influenciam a expressão, enquanto modificações pós-traducionais como acetilação por CREB ou fosforilação por mTOR alternam a função do HOXB13 entre pró-tumoral e anti-tumoral.
Futuramente, multiômica de célula única e transcriptômica espacial podem mapear detalhadamente as redes HOXB13 no microambiente tumoral para desenvolver combinações de precisão para terapias personalizadas. A imuno-histoquímica para HOXB13 já aprimora o diagnóstico, por exemplo, para distinguir o câncer de próstata do carcinoma urotelial, enquanto a relação HOXB13/IL17B no câncer de mama apoia decisões terapêuticas. Esses avanços prometem detecção precoce e tratamento aprimorados de câncer de próstata e outros tumores.
Artigo Original:
HOXB13 no desenvolvimento do câncer: mecanismos moleculares e implicações clínicas

