Uma equipe de pesquisadores da NYU Abu Dhabi, liderada pelo Professor Sehamuddin Galadari, descobriu que a proteína supressora de tumor Prostate Apoptosis Response-4 (Par-4) pode induzir um tipo único de morte celular chamado ferroptose em glioblastoma humano – o tipo mais comum e agressivo de tumor cerebral – enquanto poupa células saudáveis. Essa nova compreensão tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de tratamentos inovadores para vários tipos de câncer difíceis de tratar e doenças neurodegenerativas.
A ferroptose é desencadeada pela produção mediada por ferro de espécies reativas de oxigênio (ROS) e subsequente peroxidação lipídica, que desempenha um papel crucial na redução de tumores cancerígenos. Esta é a primeira vez que se demonstra que Par-4, já conhecido por matar células cancerígenas por apoptose – uma forma de morte celular programada –, promove a ferroptose em células de glioblastoma.
A proteína supressora de tumor Par-4 é amplamente expressa em várias espécies, mas é frequentemente reduzida, mutada ou inativada em vários tipos de câncer. No estudo recente publicado no periódico Communications Biology, " Tumor suppressor Par-4 activates autophagy-dependent ferroptosis ", os pesquisadores descobriram que Par-4 desempenha um papel inesperado na promoção da regressão do câncer mediada por ferroptose. Eles demonstraram que Par-4 desencadeia a ativação da ferritinofagia (degradação autofágica da ferritina pelo Nuclear Receptor Coactivator 4 (NCOA4). Essa ativação é necessária para o acúmulo do pool de ferro lábil, a produção de ROS e a subsequente peroxidação lipídica, que levam à ferroptose.
A ferroptose desempenha um papel fundamental em vários problemas de saúde, como câncer, doenças cardíacas, danos cerebrais, insuficiência renal, danos pulmonares e doenças como Parkinson, Huntington e Alzheimer. A identificação de Par-4 como um jogador chave na ferroptose é crucial, pois está envolvido nos processos e sinais mais importantes que desencadeiam essa via alternativa de morte celular, a ferroptose. Muitos tipos de células cancerígenas não respondem aos tratamentos atuais ou desenvolveram resistência a terapias medicamentosas existentes.
Esta pesquisa foi um esforço colaborativo entre o laboratório do Professor Associado Mazin Magzoub na NYU Abu Dhabi e o Professor Vivek M. Rangnekar da Universidade de Kentucky, que descobriu Par-4 em 1993.

