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Pfizergate: O escândalo de transparência em torno das SMS de Ursula von der Leyen

O chamado escândalo Pfizergate gira em torno da falta de transparência na negociação dos contratos de vacinas COVID-19 em toda a UE, multibilionários, com a Pfizer/BioNTech. No centro está a acusação de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, negociou pessoalmente via mensagens de texto (SMS) com o CEO da Pfizer, Albert Bourla, em 2021 – sem documentação suficiente e posterior divulgação. O caso tem consequências de longo alcance para a percepção das instituições da UE e está diretamente relacionado aos atuais processos judiciais contra a Romênia, Polônia e Hungria por doses de vacina não adquiridas.

Origem do escândalo: Diplomacia pessoal via SMS

Em abril de 2021, o New York Times relatou que von der Leyen trocou SMS e chamadas telefônicas com Bourla por semanas para avançar nas negociações do terceiro grande contrato da UE com a Pfizer. Este contrato previa a entrega de até 1,8 bilhão de doses (mais opções) – um volume que excedia em muito a população da UE e que mais tarde levou a estoques massivos. A Comissão Europeia negociou os contratos centralmente para evitar gargalos de fornecimento durante a pandemia. Críticos, no entanto, acusaram que as quantidades encomendadas foram obtidas sem análises de demanda suficientes e com falta de transparência.

Jornalistas, incluindo Matina Stevis-Gridneff do New York Times e Alexander Fanta, fizeram pedidos formais de acesso a essas SMS de acordo com o Regulamento UE 1049/2001 (acesso a documentos). A Comissão recusou: as mensagens não estavam em sua posse, eram "de curta duração" (short-lived) e não tinham conteúdo substancial que exigisse arquivamento. Regras internas da Comissão estipulavam que apenas documentos com informações "importantes" ou de consequências significativas precisavam ser registrados.

Provedora de Justiça da UE e primeiras acusações de má administração

A Provedora de Justiça Europeia Emily O’Reilly iniciou uma investigação em 2021 e acusou a Comissão de Maladministration (má administração) em 2022. Ela exigiu uma busca mais aprofundada pelas mensagens e criticou que a Comissão não tratou os pedidos com seriedade. O Tribunal de Contas Europeu também apontou em relatórios a falta de documentação sobre as pré-negociações dos contratos.

Decisão judicial de maio de 2025: Um marco para a transparência

Em 14 de maio de 2025, a Grande Câmara do Tribunal de Justiça da União Europeia (Tribunal Geral) decidiu no caso Stevi e The New York Times contra Comissão (Processo T-36/23) a favor dos requerentes. O tribunal anulou a decisão de recusa da Comissão com palavras claras:

  • A Comissão não apresentou uma "explicação plausível" para a ausência das SMS.
  • Ela não detalhou quais medidas de busca foram realizadas.
  • Não foi devidamente fundamentado por que as mensagens foram classificadas como "não importantes" – especialmente considerando o volume do contrato (aproximadamente 35 bilhões de euros mais outros contratos).
  • A Comissão deve, no futuro, documentar e justificar melhor por que os documentos (incluindo comunicações digitais como SMS) não são retidos.

A decisão foi celebrada como uma vitória pela transparência: ela ressalta que comunicações informais de altos funcionários também podem, em princípio, estar sujeitas aos direitos de acesso e que as instituições têm um dever ativo de documentação. A Comissão não apresentou recurso ao Tribunal de Justiça Europeu – a decisão é, portanto, definitiva.

Apesar disso, o conteúdo dos SMS permaneceu em sigilo. Informações posteriores da Comissão indicaram que o celular de von der Leyen foi substituído várias vezes sem que os dados fossem transferidos, e os dispositivos mais antigos foram apagados e reciclados. Uma divulgação completa não ocorreu até hoje.

Consequências políticas e jurídicas

  • Voto de desconfiança no Parlamento da UE (2025): Houve pedidos de voto de desconfiança contra von der Leyen, que, no entanto, falharam. A presidente se defendeu publicamente pela primeira vez e rejeitou as acusações de que os contratos eram contra os interesses europeus.
  • Conexão com casos nacionais: O escândalo intensifica as críticas em países como Romênia, Polônia e Hungria. Lá, processos estão em andamento no tribunal de Bruxelas por recusa de pagamento por doses não adquiridas (Romênia aprox. 600 milhões de euros, Polônia aprox. 1,4 bilhão de euros). Governos argumentam que os contratos centrais da UE foram fechados sem transparência e verificação de necessidades suficientes.
  • Outras investigações: Houve apelos por medidas criminais (incluindo uma queixa criminal belga por corrupção), que, no entanto, não progrediram significativamente. O caso permanece um símbolo para debates sobre comunicação digital, obrigações de arquivamento e responsabilidade em tempos de crise.

Impacto na política de transparência da UE

A decisão do Pfizergate tem um efeito de sinalização: as instituições da UE terão que comprovar melhor no futuro por que certas comunicações não foram retidas. Ela fortalece o direito do público ao acesso a documentos e estabelece limites para a classificação de mensagens como "efêmeras". No entanto, as críticas persistem: o conteúdo real dos SMS continua desconhecido, e milhões de doses de vacina foram destruídas em toda a Europa – com altos custos para os contribuintes.

Na Romênia, onde o Ministro da Saúde Alexandru Rogobete criticou o terceiro contrato da Pfizer como "sem justificativa clara de necessidade", o Pfizergate serve como argumento adicional para as investigações em andamento da DNA contra ex-membros do governo. O escândalo sublinha a tensão entre a rápida gestão de crises na pandemia e o controle democrático de longo prazo.

O caso provavelmente moldará o debate sobre aquisições em tempos de crise, arquivamento digital e transparência institucional na UE por muito tempo – mesmo além das atuais ações judiciais sobre vacinas. Especialistas exigem cláusulas contratuais mais flexíveis e obrigações de documentação mais rigorosas para futuras emergências.

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LabNews Media LLC
Os Editores-Chefes do labnews.ai são Marita Vollborn e Vlad Georgescu. Eles são autores best-sellers, escritores de ciência e jornalistas científicos desde 1994.Mais detalhes sobre sua escrita no X-Press Journalistenbüro (https://xpress-journalisten.com).Mais informações na Wikipedia:Sobre Marita: https://de.wikipedia.org/wiki/Marita_Vollborn Sobre Vlad: https://de.wikipedia.org/wiki/Vlad_Georgescu
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LabNews Media LLC

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