A violência contínua na Faixa de Gaza desencadeou uma crise humanitária devastadora, com as crianças sendo as maiores vítimas. De acordo com vários relatos e fontes, incluindo o UNICEF, o Ministério da Saúde em Gaza e outras organizações internacionais, mais de 18.500 crianças foram mortas desde o início do conflito em 7 de outubro de 2023. Este número reflete a realidade chocante de uma guerra que ceifa a vida de crianças diariamente e traumatiza uma geração inteira.
Dados e números
- Número total de crianças mortas: De acordo com o Ministério da Saúde em Gaza, pelo menos 15.613 crianças foram mortas até 23 de março de 2025, com o número subindo para mais de 18.500 até julho de 2025. Esses números são considerados uma estimativa conservadora, pois milhares continuam desaparecidos sob os escombros.
- Mortes diárias: O UNICEF relata que, desde outubro de 2023, uma média de 27 a 30 crianças foram mortas por dia, o que equivale a aproximadamente uma criança a cada 45 minutos. Desde o colapso do cessar-fogo em 18 de março de 2025, cerca de 100 crianças foram mortas ou feridas diariamente.
- Faixas etárias: O Ministério da Saúde em Gaza informa que, das crianças mortas, 5,7% (876) tinham menos de um ano, 26,3% (4.110) tinham entre 1 e 5 anos, 36,8% (5.745) tinham entre 6 e 12 anos e 31,2% (4.882) tinham entre 13 e menos de 18 anos. Tragicamente, 274 bebês nasceram e foram mortos durante a guerra.
- Crianças feridas: Além das mortes, mais de 33.900 crianças ficaram feridas, elevando o número total de crianças afetadas para mais de 50.000.
- Mortes por desnutrição: Em julho de 2025, 63 pessoas, incluindo 25 crianças, morreram de desnutrição, pois o bloqueio da ajuda humanitária restringe severamente o acesso a alimentos, água e cuidados médicos. No total, pelo menos 100 mortes por desnutrição foram registradas em 2025, sendo 80% delas crianças.
Contexto e causas
A violência escalou após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, seguido por uma operação militar israelense em massa na Faixa de Gaza. Desde então, bombardeios, ofensivas terrestres e um bloqueio quase total das entregas de ajuda levaram a perdas civis massivas. Crianças foram particularmente afetadas, sendo mortas em áreas densamente povoadas, escolas, hospitais e as chamadas "zonas seguras" como Al Mawasi.
- Ataques à infraestrutura civil: Escolas, hospitais e sistemas de abastecimento de água foram deliberadamente destruídos. Por exemplo, o Hospital Kamal Adwan, o único hospital pediátrico no norte de Gaza, foi tornado inoperante em dezembro de 2024 após um ataque israelense.
- Bloqueio humanitário: Desde 2 de março de 2025, apenas 86 remessas de ajuda por dia foram permitidas, bem abaixo dos 600 caminhões necessários para atender às necessidades básicas da população. Isso leva à fome, desnutrição e mortes evitáveis, especialmente entre crianças.
- Impactos psicológicos: Crianças sobreviventes sofrem de traumas graves. Um exemplo é Lana, de dez anos, cujo cabelo ficou branco da noite para o dia devido ao estresse da guerra. Muitas crianças perderam suas famílias e vivem em tendas improvisadas em condições extremas.
Reações e apelos da comunidade internacional
O UNICEF e outras organizações pediram repetidamente um cessar-fogo imediato para acabar com a violência, permitir a ajuda humanitária e libertar reféns. "As crianças de Gaza precisam de proteção, comida, água e remédios. Mais do que tudo, elas precisam de um cessar-fogo", disse Edouard Beigbeder, diretor regional do UNICEF para o Oriente Médio e Norte da África.
- UNICEF: A organização relata um "cemitério para crianças" e pede medidas urgentes para deter o desastre humanitário. O UNICEF precisa de US$ 463,8 milhões para Gaza, mas está financiado em apenas 35%.
- Médicos Sem Fronteiras: A organização relata um aumento de dez vezes na taxa de mortalidade de crianças menores de cinco anos desde o início da guerra.
- Crítica internacional: Especialistas da ONU e mais de 150 organizações humanitárias pedem um cessar-fogo permanente para permitir a entrega de ajuda e promover a recuperação psicológica das crianças, descritas como uma "geração perdida".
Problemas na coleta de dados
Os números mencionados são provavelmente subestimados, pois muitas vítimas estão desaparecidas sob os escombros e as condições caóticas em Gaza dificultam a coleta precisa de dados. O Ministério da Saúde em Gaza publicou uma lista com mais de 50.000 mortes confirmadas, das quais 31% são crianças. No entanto, o número real pode ser significativamente maior.
Conclusão
O alto número de crianças mortas e feridas na Faixa de Gaza é um alerta alarmante para a comunidade internacional. A violência contínua, juntamente com um bloqueio humanitário, privou uma geração de crianças de seus direitos à educação, brincadeiras, nutrição e segurança. O UNICEF, o Ministério da Saúde em Gaza e outras organizações pedem urgentemente um cessar-fogo e acesso irrestrito à ajuda humanitária para evitar mais sofrimento. Sem ação imediata, a crise corre o risco de ceifar ainda mais vidas de crianças e destruir o futuro de uma região inteira.
Fontes: UNICEF, Al Jazeera, Ministério da Saúde de Gaza, The Washington Post
