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Avanço no tratamento de sintomas negativos na esquizofrenia: o estudo CT-155 da Boehringer Ingelheim e Click Therapeutics

A comunicação de 13 de outubro de 2025 marca um momento potencialmente divisor de águas na psiquiatria: Boehringer Ingelheim e Click Therapeutics apresentaram os resultados detalhados do estudo de Fase III CONVOKE (NCT05838625) para CT-155 (BI 3972080). Este Prescription Digital Therapeutic (PDT) investigacional – uma terapia baseada em aplicativo que serve como complemento aos antipsicóticos convencionais – demonstrou pela primeira vez em um estudo pivotal uma redução estatisticamente significativa dos sintomas negativos experienciais na esquizofrenia. Os dados foram apresentados no 38º Congresso do European College of Neuropsychopharmacology (ECNP) em Amsterdã e destacam o papel das intervenções digitais no atendimento à saúde mental. Vamos detalhar isso substancialmente: das implicações clínicas ao contexto e às questões em aberto.

1. O cerne do estudo: o que CONVOKE demonstra

CONVOKE foi um estudo multicêntrico, randomizado, duplo-cego, de 16 semanas, com adultos (?18 anos) diagnosticados com esquizofrenia e em tratamento antipsicótico estável. O desfecho primário mediu a mudança nos sintomas negativos experienciais (por exemplo, falta de motivação, isolamento social, anedonia – incapacidade de sentir prazer) usando a Escala CAINS-MAP (Clinical Assessment Interview for Negative Symptoms – Motivation and Pleasure Scale). Esta escala, recomendada pelo National Institute of Mental Health (NIMH) e pela iniciativa MATRICS, foca em sintomas "internos", em oposição aos expressivos (por exemplo, redução da expressão facial).

  • Resultados em detalhes:
  • CT-155 levou a uma melhora de 6,8 pontos na escala CAINS-MAP (da linha de base até a semana 16), em comparação com 4,2 pontos no grupo de controle digital (um aplicativo neutro sem conteúdo terapêutico).
  • Isso equivale a uma melhora relativa de 62% e um tamanho de efeito d de Cohen de -0,36 (p = 0,0003) – um efeito moderado e clinicamente relevante, que vai além do mero efeito placebo.
  • Engajamento: 70,4% dos participantes usaram o aplicativo CT-155 até a semana 15, com atividade mediana em 76 de 112 dias possíveis. O grupo de controle foi ainda mais ativo (76,5%, 92 dias), o que demonstra: o benefício não vem de um design melhor ou maior uso, mas do conteúdo (por exemplo, definição adaptativa de metas, reestruturação cognitiva, treinamento de habilidades sociais).
  • Segurança: CT-155 foi bem tolerado, com apenas 8,3% de eventos adversos (vs. 13,4% no controle). Nenhum evento grave ou interrupção devido ao aplicativo; duas interrupções no grupo de controle.

Endpoints secundários (por exemplo, PANSS para sintomas positivos, PSP para funcionalidade social) serão publicados posteriormente, mas indicam amplos benefícios. O estudo, financiado pela Boehringer, foi concluído em junho de 2025; os resultados de linha de base vieram já em agosto de 2025.

2. O que torna o CT-155 único? Como funciona e design

O CT-155 não é apenas um aplicativo de bem-estar, mas um PDT regulamentado que digitaliza intervenções psicossociais. Desenvolvido em cooperação desde 2020, ele integra:

  • Definição Adaptativa de Metas: As metas são ajustadas ao nível de funcionamento atual do paciente para evitar sobrecarga e promover o sucesso (Ativação Comportamental).
  • Módulos Terapêuticos: Reestruturação cognitiva (contra pensamentos derrotistas), treinamento de habilidades sociais, treinamento de afeto positivo e tolerância ao sofrimento.
  • Centrado no Paciente: Baseado em feedback de mais de 150 pacientes, para abordar desafios reais como falta de motivação.

Ao contrário dos antipsicóticos farmacêuticos (por exemplo, Risperidona), que combatem principalmente sintomas positivos (alucinações), o CT-155 visa os sintomas negativos "invisíveis" – estes afetam 60% dos pacientes e são a principal causa de incapacidade a longo prazo. A FDA concedeu a Designação de Dispositivo Inovador em 2024, permitindo uma revisão acelerada. 7 Um estudo de mundo real em andamento (Enspirus, NCT06791122) está testando agora a eficácia fora de ambientes clínicos.

3. O contexto mais amplo: esquizofrenia e necessidades não atendidas

A esquizofrenia afeta 24 milhões de pessoas em todo o mundo, nos EUA sozinha 3,7 milhões de adultos – com custos de mais de US$ 60 bilhões anualmente (dados de 2019). Sintomas negativos (especialmente experienciais) correlacionam-se com maior uso de recursos: mais hospitalizações, visitas ambulatoriais e custos (até 2023). Terapias atuais gerenciam sintomas, mas não abordam os aspectos negativos de forma direcionada – não existe medicamento aprovado pela FDA para isso.

PDTs como o CT-155 podem revolucionar isso: são acessíveis (baseados em smartphone, 24 horas por dia), de baixo custo e superam barreiras como a escassez de terapeutas (especialmente em áreas rurais). 10 11 Especialistas como Gregory W. Mattingly (Washington University) enfatizam: "Isso destaca a necessidade de abordagens inovadoras – o CT-155 pode tornar o psicossocial acessível de qualquer lugar." Desenvolvimentos semelhantes (por exemplo, LB-102 da LB Pharma) indicam um boom na pesquisa sobre esquizofrenia.

4. Implicações e pontos de crítica

Impactos positivos:

  • Para pacientes: Redução do isolamento, melhor qualidade de vida – uma melhora relativa de 62% pode aumentar as habilidades do dia a dia.
  • Socialmente: Menos ônus para famílias e sistemas; PDTs podem mitigar desigualdades globais (por exemplo, em regiões com escassez de profissionais).
  • Cientificamente: Primeira evidência de PDTs em sintomas negativos; abre portas para terapias personalizadas com IA (a plataforma da Click usa IA para engajamento).

Questões em aberto:

  • Efeitos a longo prazo: CONVOKE cobre apenas 16 semanas; Enspirus fornecerá dados do mundo real, mas os riscos de recaída permanecem incertos.
  • Acessibilidade: Requer smartphone e disciplina – o que é contraintuitivo na anedonia. Qual a taxa de abandono a longo prazo?
  • Comparabilidade: O tamanho do efeito (-0,36) é sólido, mas menor do que em alguns ensaios farmacológicos (por exemplo, Lumateperona para prevenção de recaída). Não há estudos diretos de comparação.
  • Regulatório: Apesar do status de avanço: Nenhuma aprovação; resultados completos pendentes. Na Europa (EMA), o processo pode demorar mais.

5. Perspectiva: Próximos passos e relevância social

Boehringer e Click planejam conversas regulatórias (FDA/EMA), com o objetivo de lançamento no mercado como terapia adjuvante. Emmanuelle Clerisme-Beaty (Boehringer): "Abordamos a acessibilidade e a consistência da terapia psicossocial." Austin Speier: "Após décadas de necessidades não atendidas – um novo modelo para a Saúde Mental."

Esse avanço se encaixa em uma tendência: Terapias digitais (por exemplo, reSET para dependência) estão ganhando espaço, mas na esquizofrenia, o CT-155 é pioneiro. Críticos alertam contra o otimismo excessivo – aplicativos não substituem a terapia humana –, mas os dados falam por si. Para os afetados, isso significa esperança: Menos estigma, mais autonomia. Fique atento – a publicação completa pode chegar em 2026.

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Os Editores-Chefes do labnews.ai são Marita Vollborn e Vlad Georgescu. Eles são autores best-sellers, escritores de ciência e jornalistas científicos desde 1994.Mais detalhes sobre sua escrita no X-Press Journalistenbüro (https://xpress-journalisten.com).Mais informações na Wikipedia:Sobre Marita: https://de.wikipedia.org/wiki/Marita_Vollborn Sobre Vlad: https://de.wikipedia.org/wiki/Vlad_Georgescu
LabNews Media LLC

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Os Editores-Chefes do labnews.ai são Marita Vollborn e Vlad Georgescu. Eles são autores best-sellers, escritores de ciência e jornalistas científicos desde 1994.Mais detalhes sobre sua escrita no X-Press Journalistenbüro (https://xpress-journalisten.com).Mais informações na Wikipedia:Sobre Marita: https://de.wikipedia.org/wiki/Marita_Vollborn Sobre Vlad: https://de.wikipedia.org/wiki/Vlad_Georgescu