Nos livros de história das presidências americanas, Donald J. Trump entrará como o homem que, com arrogância brutal, tomada de decisões impulsiva e miopia estratégica, lançou a ordem global no abismo. Em 16 de março de 2026, olhamos para um campo de escombros: a OTAN está dividida por chantagem aberta, o Oriente Médio arde em uma guerra autoproclamada contra o Irã, o Estreito de Ormuz está bloqueado, os preços do petróleo explodem e a economia mundial cambaleia. Trump ameaçou repetidamente que a OTAN espera um "futuro muito ruim" caso os parceiros não ajudem a garantir o Estreito de Ormuz – uma passagem que se tornou um campo de batalha por meio de sua própria política. Ele afirma que Putin "não tem medo da Europa", apenas dele pessoalmente. E ele, como comandante-em-chefe, carrega a responsabilidade total pelo desastre iraniano que mergulhou os EUA em uma crise energética global. Este editorial é duro porque os fatos são duros: Trump não liderou – ele destruiu. Ele torpedeou alianças, alimentou mitos sobre a força russa e desencadeou um desastre cujas consequências se farão sentir por décadas.
Comecemos pela OTAN – aquela aliança que garante a segurança transatlântica desde 1949 e venceu a Guerra Fria. Trump a trata como um negócio de extorsão. Em entrevistas e no Truth Social, ele alertou repetidamente: se os parceiros da OTAN não enviarem navios para o Estreito de Ormuz para liberar a rota de navegação bloqueada pelo Irã, a aliança enfrentará um "futuro muito ruim". Ele citou países como Grã-Bretanha, França, Alemanha e outros nominalmente, exigiu navios de guerra e ameaçou implicitamente com consequências para a aliança. Isso não é diplomacia – é chantagem.
O contexto é crucial. O Estreito de Ormuz, por onde flui cerca de um quinto do petróleo mundial, está efetivamente bloqueado desde o início da guerra liderada pelos EUA contra o Irã. O Irã atacou petroleiros, colocou minas e declarou que a passagem permanecerá fechada para "navios inimigos" – como meio de pressão contra os ataques americanos e israelenses. Os preços do petróleo subiram para mais de US$ 100, a gasolina nos EUA custa em média mais de US$ 3,60 por galão, a inflação grassa em todo o mundo. Trump agora exige que os europeus participem deste conflito que ele iniciou. Ele argumenta que a Europa se beneficia do petróleo do Golfo e, portanto, deve pagar – ou sofrer. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, deixou claro: a Grã-Bretanha não será arrastada para uma "guerra de retaliação" e está trabalhando com aliados em um plano, sem os ultimatos de Trump. O chanceler alemão Friedrich Merz enfatizou: "Esta guerra não é um assunto da OTAN." Outros parceiros permanecem em silêncio ou discordam cautelosamente.
Trump minou a OTAN já em seu primeiro mandato, transformando a meta de 2% em motivo de chacota e até sugerindo que a Rússia poderia
Agora, em 2026, ele repete o padrão: em vez de fortalecer alianças por meio da persuasão, ele ameaça com o colapso. O resultado é uma aliança baseada na desconfiança. Estados europeus já discutem seriamente estruturas de defesa próprias, porque os EUA sob Trump se tornaram imprevisíveis. Se a OTAN ruir, a culpa não será de "caronas europeus" – essa é uma acusação gasta –, mas sim de um presidente que trata parceiros como subordinados.
Agora, sobre a afirmação de Trump a respeito de Putin: "Putin não tem medo da Europa. Ele tem medo dos Estados Unidos sob mim. Ele não tem medo da Europa." Essa declaração não é apenas falsa – é perigosamente enganosa e serve apenas à autoexaltação de Trump. Ela ignora a força real da Europa e os limites efetivos do poder russo.
Putin nunca demonstrou interesse sério em atacar toda a Europa ou a OTAN diretamente. Sua retórica gira em torno de garantias de segurança contra uma nova expansão da OTAN para o leste, da Ucrânia como zona de amortecimento e da restauração das esferas de influência russas no "exterior próximo". A invasão de 2022 visou Kiev, não Varsóvia ou Berlim. Quatro anos depois, a Rússia controla cerca de 19-20% da Ucrânia – um acréscimo marginal desde 2022, apesar de perdas enormes. A operação inicial de guerra relâmpago falhou miseravelmente; Kiev resistiu, Kharkiv e Odessa permaneceram ucranianas. Ofensivas russas no Donbass resultam em ganhos de poucos metros de território com centenas de milhares de mortos e feridos. O exército está esgotado, dependente de suprimentos de munição norte-coreanos, e a economia sofre com sanções.
A afirmação de Trump de que Putin só teme a América (e, portanto, apenas a ele) desvaloriza os esforços europeus e divide ainda mais a aliança. Ignora que a Europa arca com o principal fardo da ajuda à Ucrânia e tem contido a agressão russa por anos. Ao retratar a Europa como fraca, Trump entra no jogo de propaganda de Putin.
Sobre a guerra na Ucrânia: Quatro anos após 24 de fevereiro de 2022, Putin falhou grandiosamente em seus objetivos. A Ucrânia reconquistou território – sozinha, desde o final de fevereiro de 2026, mais do que perdeu nos meses anteriores. A frente está em grande parte estática; os avanços russos trazem ganhos mínimos a custos exorbitantes. Drones, armas ocidentais e a resiliência ucraniana pararam o avanço russo. Putin não consegue nem mesmo tomar a Ucrânia completamente – quanto mais ameaçar a Europa. Seu exército está exausto, as reservas esgotadas, a moral baixa. A ideia de que a Rússia poderia "destruir" a Ucrânia em quatro anos sempre foi fantasia. É um impasse desgastante – e Trump o usa para diminuir a Europa.
O crime mais grave de Trump, no entanto, é o desastre do Irã. Como Comandante-em-Chefe, ele carrega a responsabilidade total. A retirada do JCPOA em 2018, as sanções de "pressão máxima", o assassinato de Soleimani em 2020 – tudo isso escalou o conflito. Em 2026, culminou em guerra aberta: ataques dos EUA e israelenses a instalações nucleares iranianas, bases de mísseis e instalações navais após a morte do Líder Supremo Khamenei. O Irã respondeu com o bloqueio do Estreito de Ormuz, ataques a petroleiros e ameaças a navios.
Os EUA perderam o controle sobre o estreito. O Irã o usa como arma: minas, drones, mísseis. Os fluxos globais de petróleo são interrompidos, os preços explodem, as cadeias de suprimentos entram em colapso. Trump subestimou a disposição do Irã para escalar – ele acreditava que o bloqueio prejudicaria mais o Irã do que o Ocidente. Calculou errado. Agora, ele exige uma coalizão – e ameaça a OTAN e a China. Nenhum país prometeu navios até agora; os parceiros estão cautelosos porque não querem apoiar a ação unilateral de Trump.
A culpa é de Trump: ele rescindiu o acordo que limitava o programa nuclear do Irã. Ele escalou a guerra, sem diplomacia. Ele não construiu uma coalizão antes de atacar. O resultado é uma crise global: choques nos preços da energia, inflação, catástrofes humanitárias no Oriente Médio. Como Comandante-em-Chefe, ele é o responsável – totalmente.
Resumindo: Trump dividiu a OTAN com ameaças, glorificou Putin como todo-poderoso, embora a Rússia esteja presa na Ucrânia, e criou um desastre no Irã que afeta a economia global. Sua política é isolacionista, egocêntrica e destrutiva. A América e o mundo precisam de liderança que construa pontes – não alguém que as derrube. A responsabilidade é de Trump. É hora de prestação de contas, de bom senso multilateral e do fim desta era autodestrutiva.
O artigo foi originalmente publicado em inglês em defense-news.io
