Sydney (LabNews Media LLC) – O cérebro reage de forma diferente consoante a previsibilidade de um evento: perante surpresas, direciona energia para captar o máximo de informação sensorial do ambiente. Perante eventos esperados, pelo contrário, poupa energia, processando-a de forma menos profunda.
Isto mostra um estudo da Universidade de Sydney, publicado na revista científica The Journal of Neuroscience. Os investigadores, liderados pelo Dr. Reuben Rideaux e pela estudante de doutoramento Ziyue Hu, utilizaram medições de EEG, reações da pupila e tarefas comportamentais para investigar como o cérebro lida com estímulos visuais previsíveis e surpreendentes.
„Perante um evento previsível, o cérebro pensa: ‚Já sei o que é isto, não preciso de o processar cuidadosamente‘“, explica Rideaux. „Perante eventos inesperados, pelo contrário, é como uma atualização de software: o cérebro quer atualizar o seu modelo interno do mundo e, por isso, dedica energia a recolher o máximo de informação possível do ambiente.“
O estudo mostra que os eventos esperados são processados em duas fases: uma previsão e preparação inicial, seguida de um reconhecimento rápido. Os eventos inesperados, pelo contrário, são refletidos de forma mais clara nas ondas cerebrais e levam a memórias mais vívidas.
„Encontrámos a resposta: o cérebro faz as duas coisas – poupa energia com o que é familiar e investe em surpresas“, afirma Ziyue Hu. Todo o processo ocorre em milissegundos.
As descobertas explicam porque é que os eventos surpreendentes são frequentemente lembrados de forma particularmente boa. Têm também relevância prática, por exemplo, no desporto de alta competição, onde os atletas podem reagir rapidamente através de previsões, mas recordam situações surpreendentes com particular precisão.
