A pandemia de COVID-19 exacerbou as desigualdades de saúde existentes e mergulhou as crianças numa epidemia de saúde mental, alterando o panorama da saúde e do bem-estar para toda uma geração.
Este é o aviso contundente do Dr. Jatinder Hayre na sua análise crítica das "desigualdades profundamente enraizadas" no Reino Unido, "The Lost Generation of COVID-19".
Ele apresenta um vasto corpo de investigação para demonstrar como a luta do Reino Unido contra a COVID-19, após um longo período de cortes nos serviços públicos, alterou fundamentalmente o seu panorama social, económico e de saúde. O Dr. Hayre, que liderou o relatório independente da SAGE sobre COVID-19 e desigualdade na saúde, descreve mudanças políticas urgentes para restaurar este equilíbrio.
O autor destaca particularmente o impacto desproporcional em crianças e jovens de famílias desfavorecidas: "Aumento da ansiedade, desenvolvimento social prejudicado e solidão de partir o coração uniram-se numa epidemia de saúde mental que provavelmente durará mais tempo do que o próprio vírus."
O Reino Unido encontra-se num ponto de viragem, oscilando entre um caminho de reforma significativa e um deslize para uma desigualdade mais profunda. A COVID-19 expôs e amplificou as vulnerabilidades de saúde mental das nossas crianças. Se não forem tratadas, estas feridas psicológicas podem moldar uma geração inteira: podem impedir permanentemente algumas crianças de atingirem o seu potencial e cimentar um panorama de desigualdade social persistente.
Embora estas desigualdades não tenham sido criadas pela pandemia, o Dr. Hayre explica como estes problemas foram "exacerbados" pela crise. O Dr. Hayre afirma que o fornecimento de educação já estava subfinanciado após uma década de austeridade, e as áreas mais pobres sofreram proporcionalmente as maiores perdas.
Com o surto da pandemia, explica ele, "estas fissuras existentes tornaram-se abismos". Por exemplo, as crianças de agregados familiares com rendimentos mais baixos, sem acesso a tecnologia, não conseguiram acompanhar o ensino à distância. Em contraste, as crianças de famílias abastadas conseguiram adaptar-se ao ensino à distância graças a aulas particulares, supervisão parental e os seus próprios espaços de estudo.
As desigualdades na educação têm consequências profundas, pois a investigação demonstra inequivocamente que os adultos com níveis de escolaridade mais baixos sofrem desproporcionalmente de doenças cardiovasculares, obesidade e problemas de saúde mental.
Para além das consequências académicas, os encerramentos de escolas tiveram outros impactos nas crianças: as crianças que viviam na pobreza deixaram de ter acesso a refeições quentes gratuitas, e as crianças de famílias em risco ou violentas deixaram de ter supervisão e proteção de adultos.
