Linfomas, popularmente conhecidos como câncer de linfonodo, estão entre os tipos mais comuns de câncer no sangue. Novos biomarcadores moleculares, especialmente o DNA tumoral circulante (ctDNA), permitem diagnósticos mais precisos, melhores avaliações de risco e tratamento individualizado. Especialistas veem isso como uma mudança de paradigma, afastando-se da mera imagem para a medicina de precisão molecular.
Biomarcadores estabelecidos no diagnóstico de rotina
O diagnóstico clássico de um linfoma começa com o exame histológico de uma biópsia de linfonodo. Marcadores imuno-histoquímicos desempenham um papel central aqui:
- No linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), a forma agressiva mais comum: CD20 (alvo do Rituximabe), BCL2, BCL6, MYC e MUM1. A combinação de superexpressão de MYC e BCL2 (Double Expressor) ou translocações genéticas "Double Hit" (MYC mais BCL2/BCL6) identifica pacientes de alto risco com um prognóstico significativamente pior.
- No linfoma folicular (LF): translocação t(14;18), que leva à superexpressão de BCL2.
- Índice de Risco Clínico: O Índice Prognóstico Internacional (IPI) considera idade, estágio da doença, nível de LDH no sangue, estado geral de saúde e número de sítios extranodais. Ele continua sendo uma ferramenta comprovada.
Esses marcadores determinam não apenas o subtipo, mas também a intensidade do tratamento – por exemplo, se uma quimioterapia padrão R-CHOP é suficiente ou se abordagens mais intensivas são necessárias.
ctDNA como divisor de águas no monitoramento
O maior avanço dos últimos anos é o DNA tumoral circulante (ctDNA) no sangue. Ele permite o monitoramento não invasivo por "biópsia líquida" da carga tumoral e das alterações genéticas.
- Tecnologias: Métodos modernos como PhasED-Seq (Phased Variant Enrichment and Detection Sequencing) ou CAPP-Seq atingem uma sensibilidade extremamente alta. O PhasED-Seq utiliza múltiplas mutações acopladas no mesmo filamento de DNA e minimiza as taxas de erro.
- Benefício clínico:
- Antes da terapia: Altos níveis iniciais de ctDNA se correlacionam com maior carga tumoral e pior prognóstico.
- Durante a terapia: A eliminação precoce (limpeza) do ctDNA após um a dois ciclos prevê uma melhor sobrevida livre de progressão – independentemente do IPI ou PET-CT.
- Fim do tratamento (EOT): Status negativo de ctDNA-MRD (doença residual mensurável) após a conclusão da terapia de primeira linha é um forte preditor de remissão a longo prazo. Estudos prospectivos em 2025/2026 confirmam isso para DLBCL e outros linfomas agressivos.
- Detecção precoce de recidiva: O ctDNA frequentemente detecta recaídas meses antes dos sintomas clínicos ou radiológicos.
Em estudos de coorte grandes de 2025, o monitoramento de ctDNA mostrou alta precisão diagnóstica, superando parcialmente a imagem convencional. Desde 2025, é recomendado nas diretrizes da NCCN para DLBCL.

Outros biomarcadores moleculares
O sequenciamento de próxima geração (NGS) de tecido tumoral ou ctDNA revela marcadores adicionais:
- Mutações genéticas: MYD88 L265P (comum no subtipo ABC do DLBCL), TP53 (prognóstico ruim), EZH2 ou KMT2D em FL.
- Subtipos moleculares: No DLBCL, distinguem-se subtipos GCB e ABC ou clusters mais precisos (por exemplo, EZB, MCD) de acordo com o algoritmo LymphGen. Estes influenciam a resposta a terapias direcionadas, como inibidores de BTK ou BCL2.
- Outros: Expressão de PD-L1 para imunoterapia, CD30 em linfoma de Hodgkin ou linfomas anaplásicos de grandes células.
Perspectiva
“A ctDNA mudará o controle terapêutico em linfomas de forma semelhante como em tumores sólidos”, dizem hematologistas. Estudos em andamento investigam se a desescalada guiada por ctDNA (menos quimioterapia com rápida eliminação) ou escalada é possível. Simultaneamente, anticorpos biespecíficos e células CAR-T estão sendo combinados com estratificação por biomarcadores.
Observação: O significado individual dos biomarcadores depende do subtipo de linfoma, idade e comorbidades. Pacientes devem ser tratados em centros especializados (por exemplo, com acesso a estudos) e considerar as diretrizes atuais (NCCN, ESMO, DGHO).

