Pesquisadores da Ohio University desenvolveram um nanossensor que pode distinguir transtornos do espectro autista (TEA) de deficiência intelectual com base na produção de óxido nítrico (NO) por células-tronco. O método já funciona em células-tronco pluripotentes induzidas indiferenciadas e pode permitir um diagnóstico precoce e objetivo. O estudo foi publicado em uma revista especializada.
Contexto
O diagnóstico de transtornos do espectro autista é atualmente predominantemente baseado na observação comportamental e muitas vezes só é possível na primeira infância. TEA e deficiência intelectual frequentemente apresentam sintomas sobrepostos e causas genéticas comuns, o que dificulta o diagnóstico diferencial. Até agora, faltavam marcadores biológicos confiáveis que permitissem uma distinção precoce e objetiva.
Método do nanossensor
Os cientistas utilizaram um nanossensor de fibra de carbono, originalmente desenvolvido para pesquisa cardiovascular e de Alzheimer. Com este sensor, eles mediram em tempo real a produção de óxido nítrico em células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs) obtidas de pacientes. As medições foram realizadas em células indiferenciadas, sem a necessidade de convertê-las previamente em células nervosas.
Resultados importantes
Células de pacientes com TEA produziram cerca de 6 nanomols (nM) de óxido nítrico, células de pacientes com deficiência intelectual cerca de 11 nM e células de controles saudáveis cerca de 65 nM. As claras diferenças quantitativas permitiram uma distinção confiável entre TEA e deficiência intelectual, mesmo com alterações genéticas sobrepostas.
Significado para o diagnóstico
O método poderia permitir um diagnóstico precoce, objetivo e baseado em biologia. Como as medições funcionam em células-tronco indiferenciadas, teoricamente seria possível uma análise das células corporais da criança já nos primeiros meses de vida. Assim, o diagnóstico não dependeria mais exclusivamente da observação comportamental.
Perspectiva
Os pesquisadores veem na abordagem baseada em nanossensor um possível biomarcador para o diagnóstico precoce e diferencial de distúrbios do neurodesenvolvimento. Estudos adicionais agora precisam demonstrar se o método pode ser utilizado na prática clínica e quão robustos são os resultados em grupos maiores de pacientes.
FAQ
O que o novo nanossensor mede?
A produção de óxido nítrico (NO) em células-tronco de pacientes.
Como os valores se diferenciam?
Células de TEA: aprox. 6 nM de NO; células com deficiência intelectual: aprox. 11 nM de NO; controles saudáveis: aprox. 65 nM de NO.
As células precisam ser convertidas em células nervosas primeiro?
Não. As medições já funcionam em células-tronco pluripotentes indiferenciadas.
Qual a vantagem do método?
Ele permite uma distinção precoce, objetiva e quantitativa entre TEA e deficiência intelectual, mesmo com sobreposição genética.
Quão cedo um diagnóstico seria possível?
Teoricamente, já nos primeiros meses de vida, se as células do próprio corpo da criança forem reprogramadas em células-tronco e examinadas.
