Um estudo cruzado randomizado em humanos demonstrou pela primeira vez que o sono promove a depuração noturna de beta-amiloide e tau – duas proteínas associadas ao Alzheimer – do cérebro para a corrente sanguínea. Pesquisadores da empresa Applied Cognition interpretam concentrações mais altas dessas proteínas pela manhã no sangue após o sono normal em comparação com a privação de sono como um indicativo de aumento da atividade glinfática. Os resultados apoiam o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas para melhorar a limpeza cerebral no Alzheimer.
No estudo com 39 participantes, o sono normal levou a níveis plasmáticos significativamente mais altos de beta-amiloide e tau pela manhã do que a privação de sono. Os pesquisadores atribuem isso a uma maior depuração glinfática – o "sistema de limpeza" baseado em fluidos do cérebro, que é particularmente ativo durante o sono. O monitoramento noturno da atividade cerebral (EEG), da dinâmica cerebrovascular e dos deslocamentos de fluidos intersticiais mostrou padrões característicos relacionados ao sono: fases de sono profundo no EEG, aumento da pulsatilidade vascular e redução da resistência ao fluxo de fluidos no cérebro.
Os resultados fornecem a primeira evidência causal em humanos de que o transporte glinfático impulsionado pelo sono remove beta-amiloide e tau do cérebro. Isso confirma descobertas de modelos animais com mais de uma década e destaca o papel do sistema glinfático na remoção de proteínas neurotóxicas.
O estudo combina análises avançadas de biomarcadores com monitoramento contínuo por um dispositivo inovador da Applied Cognition, recentemente validado na Nature Biomedical Engineering. Os pesquisadores veem o sistema glinfático como um alvo terapêutico promissor e modificável para a prevenção e tratamento dos estágios iniciais do Alzheimer.
"O estudo confirma que o cérebro humano possui um sistema de limpeza ativo impulsionado pelo sono. Com a fisiologia do sono prejudicada, esse sistema falha", explicou o Dr. Paul Dagum, CEO e cofundador da Applied Cognition. Os resultados validam a estratégia da empresa de aumentar farmacologicamente a depuração glinfática.
O estudo foi publicado em 27 de janeiro de 2026 na Nature Communications. Os autores incluem Paul Dagum, Donald Elbert, Laurent Giovangrandi, Tarandeep Singh, Venky Venkatesh, Alejandro Corbellini, Robert Kaplan, Swati Rane Levendovszky, Elizabeth Ludington, Kevin Yarasheski, Jeffrey Lowenkron, Carla VandeWeerd, Miranda Lim e Jeffrey Iliff.
A Applied Cognition desenvolve como empresa clínica terapias para fortalecer o sistema glinfático. Com sua plataforma para medição contínua da atividade glinfática em humanos, a empresa já identificou uma primeira abordagem terapêutica e um candidato a medicamento principal que visa melhorar a depuração de amiloide e tau. O programa tem como alvo os estágios iniciais da doença de Alzheimer e será expandido para outras doenças neurodegenerativas.
Mais informações estão disponíveis em www.appliedcognition.com.
